expresso.ptexpresso.pt - 14 jun 13:38

Quatro milhões de suíças chamadas a fazer greve pela igualdade de género

Quatro milhões de suíças chamadas a fazer greve pela igualdade de género

As mulheres suíças são incentivadas esta sexta-feira a deixarem os seus locais de trabalho às 15h24, hora estimada como o momento em que deveriam parar de trabalhar para ganhar proporcionalmente o mesmo do que os homens ganham em média numa hora

Cerca de quatro milhões de suíças são esta sexta-feira chamadas a parar contra a diferença salarial entre géneros, o assédio no trabalho e a violência de género, a primeira greve do género em 28 anos.

As mulheres são incentivadas a deixarem os seus locais de trabalho precisamente às 15h24, hora estimada pela organização como o momento em que deveriam parar de trabalhar para ganhar proporcionalmente o mesmo do que os homens ganham em média numa hora.

Por volta das 00h locais, em Lausanne, centenas reuniram-se junto da catedral da cidade e marcharam até ao centro para queimarem paletes de madeira, gravatas e sutiãs.

Segundo a Associated Press, algumas mulheres chegaram a escalar a catedral para gritarem a hora, tradição que é normalmente executada por homens.

Emma Fabre, funcionária do Centro Internacional de Conferências de Genebra disse à EFE que não vai trabalhar hoje porque "ainda há muito a fazer" para que as mulheres gozem dos mesmos direitos que os homens, mesmo naquele que é considerado como um dos países mais ricos do mundo.

"Ainda há muita desigualdade de salários, muita condescendência e geralmente somos obrigados a ter empregos a tempo parcial para cuidar das crianças", acrescentou.

Mesmo na sede europeia das Nações Unidas, em Genebra, a desigualdade também é percetível, segundo uma funcionária da ONU.

"É possível notar-se um maior número de mulheres nos cargos mais baixos, mas à medida que se sobe para os cargos na administração, a maioria dos ocupantes são homens", acrescenta a funcionária que preferiu não se identificar, em declarações à EFE.

A greve visa também reclamar por mais respeito pelas mulheres, já que, segundo a Amnistia Internacional, a cada duas semanas uma mulher morre na Suíça devido a violência dos parceiros ou ex-parceiros e uma em cada cinco suíças já admitiu ter sofrido comentários sexistas, assédio e outros tipos de violência sexista.

O protesto inclui o boicote a lojas e a restaurantes, como forma de mostrarem o seu impacto na economia nacional.

Embora seja considerada uma das nações mais democráticas no mundo, com referendos de três em três meses para se decidir vários assuntos a nível nacional e local, as mulheres suíças apenas conquistaram o direito de votar e de serem eleitas em 1971, num referendo em que oito dos 26 cantões que compõem o país votaram contra.

Já a descriminalização do aborto demorou mais 31 anos.

Na Suíça, os homens ganham em média 12% a mais do que as mulheres e, em cargos com maior responsabilidade, esse percentual aumenta para 18,5%, segundo a Organização Mundial do Trabalho.

Também, 60% do trabalho não remunerado, que inclui a limpeza e cuidado de crianças recai sobre as mulheres, num país onde o número de creches não é suficiente em comparação com a procura e onde as crianças até os oito anos de idade não vão à escola nas quartas-feiras.

Os eventos desta sexta-feira remetem para os protestos de 14 de junho de 1991, que reuniram centenas de milhares de mulheres que deixaram os seus locais de trabalho para se manifestarem contra a discriminação, 20 anos depois de ganharem o direito ao voto e uma década após ter sido aprovada a lei de igualdade de género.

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