expresso.ptexpresso.pt - 14 jun 20:44

Roubo das 57 Glock da PSP. Investigação prolonga-se até ao Natal

Roubo das 57 Glock da PSP. Investigação prolonga-se até ao Natal

Foi decretada a especial complexidade de um caso que tem suspeitos comuns com o de Tancos. Processo conta já com mais de quinze arguidos

O juiz de instrução João Bártolo, do Tribunal de Instrução Criminal, deu luz verde ao pedido do Ministério Público (MP) e deu mais seis meses para os procuradores investigarem o roubo de 57 pistolas Glock do armeiro da PSP. A informação foi confirmada esta sexta-feira ao Expresso pelo gabinete da Procuradoria-Geral da República. “Confirma-se que já foi proferido despacho judicial que declarou a excecional complexidade do inquérito.”

Esta quarta-feira o Expresso já havia noticiado que o MP tinha pedido mais seis meses para investigar.

As armas tinham sido dadas como desaparecidas no início de 2017 e desde então a polícia realizou uma intensa investigação para apurar como puderam ter desaparecido tantas armas na sede da Penha de França, em Lisboa.

Com esta decisão, O prazo para terminar a acusação ficará adiado para 21 de dezembro.

O Expresso sabe que o caso conta já com mais de quinze arguidos, mais do dobro das pessoas detidas em dezembro pela divisão de investigação criminal do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. Só Luís Gaiba, o agente suspeito, se encontra em preventiva. Os restantes, entre eles o alegado cúmplice no armeiro da Penha de França, foram alvo de medidas de coação mais ligeiras.

O roubo das Glock tem algumas particularidades. Entre elas a de terem suspeitos comuns com o grupo de assaltante aos paióis de Tancos.

O alegado líder do furto ao arsenal de guerra, João Paulino, terá comprado seis das Glock roubadas à PSP. E entre os cúmplices dos dois roubos há elementos comuns e parcerias que estão a ser investigadas pelos procuradores de ambos os inquéritos.

Carlos Melo Alves, que defende alguns arguidos no caso — nenhum deles em prisão preventiva — concorda com a adoção da especial complexidade: “Admito em tese que um processo onde são necessárias perícias a armas apreendidas, a inquirição de um elevado número de testemunhas e arguidos com expediente vastíssimo para ponderar, que seja declarado de especial complexidade.”

Opinião contrária tem Santos Oliveira, advogado do agente da PSP em preventiva, esta e outras investigações estão a demorar demasiado tempo. “Não faz sentido haver investigações que se prolongam por dois a três anos e julgamentos quatro anos depois. O efeito da Justiça não é nenhum”, critica.

Este advogado defende uma alteração da lei sobre o uso da especial complexidade. “Deveria ser exigida a uma fundamentação exaustiva sobre os motivos que levam um processo a ser designado de especial complexidade.”

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