expresso.ptexpresso.pt - 14 jun 21:04

Modo de transporte de animais vivos reuniu 50 pessoas no Porto em protesto

Modo de transporte de animais vivos reuniu 50 pessoas no Porto em protesto

Entre o Jardim da Cordoaria e a Avenida dos Aliados, os ativistas denunciaram o que consideram ser o "momento mais angustiante da vida dos animais (...) muitas vezes privados de água ou alimentação, amontoados e cobertos pelas fezes, sujeitos a temperaturas extremas de frio ou calor"

Uma marcha promovida pela organização Setúbal Animal Save, em parceria com várias organizações do Norte, reuniu esta sexta-feira no Porto cerca de 50 pessoas em protesto contra a forma como ocorre o transporte de animais vivos.

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Noel Santos, ativista da Setúbal Animal Save, explicou à Lusa que a opção de fazer a marcha no Porto deveu-se ao facto de "nos últimos dois anos terem surgido muitos grupos operacionais na zona Norte" e teve também como objetivo sair do hábito de "concentrar este género de iniciativas ativistas em Lisboa".

"A nossa mensagem é focada nas condições desumanas em que os animais são transportados, sendo apenas esse um dos pontos do nosso trabalho, pois não nos interessa apenas acabar com o transporte de animais vivos", explicou Noel Santos, que lamentou a falta de mobilização que "persiste em Portugal". Dando conta de que as "pessoas ficam chocadas" quando "confrontadas com a realidade do transporte dos animais vivos" e que "olham para isto com alguma preocupação", notou que nelas persiste uma "certa dificuldade em se juntar a estes movimentos e dar o seu apoio nas ruas".

"Podemos dizer que mais do que nunca somos um país ambientalista, mas não dentro do ativismo puro como é o nosso. Nós advogamos o veganismo e isso é uma barreira mais difícil para se chegar às pessoas, embora haja cada vez mais pessoas a abraçar esse estilo de vida", acrescentou. E prosseguiu: "Como abolicionistas somos contra qualquer tipo de exploração animal", disse Noel Santos recomendando às pessoas que "olhem para estes animais e vejam neles as características que vêm em casa nos cães e nos gatos".

Para Marisa Sousa, ativista da Porto Animal Save, falar do "transporte animal faz com que se consiga trazer mais consciencialização sobre tudo o que os animais passam". Enfatizando que o "ativismo não são ações agressivas como aquelas que por vezes se vê na televisão", Marisa Sousa frisou à Lusa que "pode ser muitas coisas" até "possível passar uma mensagem de forma não violenta".

A cerca de meia centena de participantes percorreu algumas das ruas da baixa do Porto, com cartazes com imagens a denunciar os maus tratos aos animais e panfletos com informação para distribuir pela população. Entre as imagens viam-se animais a sangrar, mas a preocupação foi mostrar animais vivos a serem transportados, em várias condições, "pois o transporte é uma das partes mais difíceis da vida de um animal", lembrou a ativista.

O comunicado que apelou para o "Dia internacional da sensibilização" indica que em 2018 "cerca de 350 mil ovinos e bovinos embarcaram em portos portugueses rumo ao Médio Oriente".

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