mag.sapo.ptmag.sapo.pt - 14 jun 17:12

"Simplex": ópera cómica multimédia confronta o interior e a tecnologia no Porto

"Simplex": ópera cómica multimédia confronta o interior e a tecnologia no Porto

O espetáculo “Simplex”, descrito como uma “ópera cómica multimédia interativa”, coloca em cena no Teatro do Campo Alegre, no Porto, os desafios trazidos pela tecnologia numa aldeia do “interior ...

O espetáculo do Quarteto Contratempus, que em termos de encenação e cenografia também cruza a ópera com a multimédia e a manipulação em tempo real de elementos audiovisuais, explica-se “em meia dúzia de linhas”, atira o encenador, António Durães, em entrevista à Lusa.

“Estamos numa vila no interior do interior do interior do país, carregada de rusticidade, e há uma criatura cheia de mundo que cai ali, não se sabe se anjo ou demónio. […] Vai organizar, com o apoio das autoridades locais, a vida daquela vila de forma diferente”, resume.

Um dos temas centrais, conta, é a forma como a tecnologia retira as pessoas “da sua zona de conforto”, sobretudo “os mais velhos”, mas também a falibilidade da própria tecnologia e propostas inusitadas, como “caixões que tocam Bach nos primeiros sete dias”, uma paródia “de quem se faça sepultar, na vida real, com telemóveis carregados”.

“Se tirarmos estes episódios do contexto da vida e os colocarmos no palco, ganha significado e contornos completamente diferentes”, atira.

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Se surge o amor, sem “nada de tecnológico, como a coisa mais fluida e orgânica que pode acontecer”, o “contraste” entre um interior que é “um dos vários países dentro do país” e “conceitos que nos desumanizam” enquanto pessoas, através de “ferramentas que nos colhem a liberdade”.

“O que acontece numa vila no interior do interior de Portugal perante este atropelamento da tecnologia? O que é que acontece às pessoas?”, questiona o encenador.

Em Vila Velha do Pinheiro, cruza-se o autarca local, o norte-americano B Jobs, saído de Silicon Valley e da cultura de empreendedorismo e 'startups', e a francesa Geneviève, uma jornalista que traz “a paixão”, mas também uma capacidade de “colocar a desgraça no centro da vida das pessoas, o espetáculo mais degradante da condição humana”.

Ao lado de um cenário “despojado” e que pode ser manipulado e alterado consoante as necessidades do espetáculo está uma série de câmaras que detetam o movimento dos atores e os relacionam com o 'videomapping'.

Com libreto de Carlos Tê e José Topa e composição de Telmo Marques, “Simplex” é interpretado pela soprano Teresa Nunes e pelo tenor Miguel Leitão, além dos músicos: o clarinetista Crispim Luz, a violoncelista Susana Lima e o pianista Sérgio de A.

Num “corpo de palco” que assume quase a função de uma personagem, a iluminação é de Mariana Figueroa com ilustrações de Sara Feio, combinando com o 'videomapping' a cargo de Hugo Mesquita, numa coprodução entre o Contratempus e o Teatro Municipal do Porto.

Depois do Porto, no sábado e no domingo, o espetáculo vai passar por Paredes de Coura, lugar onde “foi construído na prática”, mas também por cidades como Leiria, Braga ou Loulé, entre outras.

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