expresso.ptexpresso.pt - 14 jun 20:32

Crimes de ódio contra homossexuais e transsexuais, incluindo os de violência física, estão a aumentar em Inglaterra e Gales

Crimes de ódio contra homossexuais e transsexuais, incluindo os de violência física, estão a aumentar em Inglaterra e Gales

O episódio do casal de namoradas agredido num autocarro em Londres veio colocar de novo em foco a questão da violência contra pessoas da comunidade LGBT

Os crimes de ódio, incluindo os que envolvem atos de violência física, contra homossexuais ou transsexuais estão a aumentar em Inglaterra e no País de Gales, segundo uma análise feita pelo “The Guardian” depois de consultados os registos policiais dos últimos cinco anos. Numa análise per capita, este tipo de crimes aumentou 144% por centro entre 2013 e 2018. Neste último ano, a polícia registou 11.600 ocorrências que considerou crimes (desde perseguições a insultos passando por espancamentos ou outras formas de violência física), mais do que o dobro registado de 2013 até ao fim de 2017 (4.600).

A comunidade transsexual tem sofrido ainda mais com este aumento de violência já que quase metade (46%) dos crimes registados no período de 2017-2018 (1,650) estão relacionados com a existência de violência física - alguns mesmo de “grave dano corporal”. Esta investigação do diário britânico aparece no rescaldo de uma onda de indignação nas redes sociais provocada por um ataque a duas mulheres lésbicas que recusaram beijar-se para entretenimento de um grupo de rapazes que seguiam, como elas, num autocarro noturno. “Quando isto nos aconteceu ficámos tão enervadas que decidimos tornar a história pública, porque esta situação precisa mesmo de mudar e talvez isto ajude um pouco. A mim pareceu-me uma obrigação moral. Isto precisa mesmo de ser parado”, disse Melania Geymonat, 28 anos, ao “The Guardian”.

No dia do ataque, Melania estava com Chris, a sua namorada norte-americana, que também já assinou um texto sobre o ataque no mesmo jornal, e publicou, no Facebook, uma fotografia onde se viam os rostos e as roupas ensanguentados das duas, seguido de um texto muito emocional - que foi partilhado milhares de vezes (15 mil até esta sexta-feira).

Uma das partes do texto conta como tudo começou: “Não me lembro se eles já estavam lá ou se foram atrás de nós. Devemos ter-nos beijado ou assim, e eles vieram ter connosco. Havia pelo menos quatro homens. De repente, começaram a comportar-se como hooligans, exigindo que nos beijássemos para que pudessem ver, gritando ‘lésbicas’ e descrevendo posições sexuais. Não me lembro de todo o episódio, mas a palavra ‘tesoura ficou bem presente. No autocarro só estávamos nós e eles. Na tentativa de acalmar as coisas, comecei a fazer piadas, pensando que isso os poderia acalmar um pouco. A Chris até fingiu que estava doente, mas eles continuaram com o assédio, atiraram-nos moedas. Estavam cada vez mais entusiasmados com a situação”, escreveu Melania no Facebook logo depois do sucedido.

Os ativistas contactados pelo “The Guardian” oferecem duas razões para estes números: primeiro, o facto de mais gente, tal como o casal de namoradas agredido no autocarro, não ter medo de denunciar agressões às autoridades e considerar ser seu dever fazê-lo; em segundo, “o resultado direto desta onda de populismo na nossa sociedade que cria bodes expiatórios e faz as pessoas sentirem-se em perigo no meio da diferença”, como disse Taz Edwards-White, da organização de proteção dos direitos das minorias Metro.

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