observador.ptobservador.pt - 12 jun 19:03

Cientistas identificam vírus que está a infetar as lebres na Península Ibérica

Cientistas identificam vírus que está a infetar as lebres na Península Ibérica

Segundo uma equipa internacional, composta por elementos da Universidade do Porto, uma "nova linhagem" do vírus da mixomatose pode ser "responsável" pelas mortes das lebres ibéricas.

Uma equipa internacional liderada por investigadores do Centro de Investigação Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), da Universidade do Porto, identificou o vírus que está a infetar as lebres na Península Ibérica, foi esta quarta-feira anunciado.

Em comunicado, o CIBIO-InBIO explica que a investigação, recentemente publicada na revista ‘Viruses’, identificou uma “nova linhagem” do vírus da mixomatose que pode ser “responsável” pelas mortes das lebres ibéricas.

O vírus da mixomatose é uma doença provocada pelo Mixoma (um vírus pertencente ao grupo dos poxvírus e cujo genoma é composto de ADN) e tem uma elevada taxa de mortalidade.

Os investigadores do CIBIO-InBIO e de duas instituições internacionais analisaram o “genoma completo” das amostras do vírus encontrado nas lebres com sintomas de mixomatose e concluíram tratar-se de “uma nova linhagem” com “alterações genéticas únicas” que poderão conferir ao vírus a capacidade de abalar a resistência das lebres à doença.

Segundo o centro de investigação, apesar de no seu “hospedeiro natural” (coelho americano), o vírus da mixomatose apenas “causar uma doença benigna”, no coelho-bravo o vírus é “mortal”, o que justifica as “enormes perdas” nesta população.

“Até há muito pouco tempo, pensava-se que a mixomatose estava restrita ao coelho-bravo”, refere o CIBIO-InBIO, acrescentando, contudo, que “a situação se alterou significativamente” desde o ano passado.

Citada no comunicado, Ana Águeda-Pinto, primeira autora do artigo, diz que “o novo vírus terá sofrido várias alterações genéticas, as quais terão permitido quebrar as barreiras que impediam que o vírus do mixoma afetasse as lebres”.

“Embora todas as evidências apontem para esse sentido, não podemos confirmar esta hipótese. Para isso será preciso investigar qual a relevância destas alterações genéticas na infeção do vírus nas lebres”, adianta Ana Águeda-Pinto.

O CIBIO-InBIO alerta ainda que, tendo em conta os resultados obtidos, as “populações ibéricas de lebre poderão estar perante uma nova estirpe do vírus mixoma”, e que esta nova estirpe poderá ter “consequências dramáticas” nas populações naturais de lebre ibérica.

1
1