mag.sapo.ptmag.sapo.pt - 12 jun 17:00

"High Life": Robert Pattison é desconcertante num misterioso drama sobre amor, desespero e... fecundação

"High Life": Robert Pattison é desconcertante num misterioso drama sobre amor, desespero e... fecundação

Filme da realizadora Claire Denis vai para o espaço com Robert Pattison e Juliette Binoche.

Numa nave espacial, em isolamento total, vivem Monte (opaco e desconcertante Robert Pattinson) e Willow, a sua filha pequena. Ambos eram membros de uma tripulação de prisioneiros, antigos delinquentes sentenciados à pena de morte, parte de uma expedição a um buraco negro.

Tendo a possibilidade de trocar a morte pela liberdade, são enviados para o espaço, onde se tornam cobaias da Dra. Dibs (intensa Juliette Binoche), uma dominatrix de fluídos com a demência de um Dr.Strangelove do espaço.

A Dra. Dibs controla os desejos dos encarcerados, ensaiando experiências de reprodução. Com sucesso, pois após uma série de abusos, acaba por inseminar Boyse (Mia Goth), tornando Monte, um monge cheio de autocontrolo como proteção contra o desejo… pai contra a sua vontade.

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Com o nascimento de Willow, Monte também renasce. O seu amor leva-o a proteger a filha da crueldade humana e a uma vivência única entre um Adão e Eva espacial. Enquanto se dirigem para a morte.

Em "High Life", com virtude para explorar o vácuo, a realizadora Claire Denis cria uma odisseia de erotismo e existencialismo, de iguais proporções a fluídos corporais e desorientação temporal.

Intoxicados, procuramos colocar imagens que flutuam, algures na ordem da narrativa. Os primeiros passos da bebé Willow, a intensidade sexual da Dra. Dibs, as partilhas telúricas entre Monte e outro enclausurado Tcherny, a morte eminente e o poder da nave sobre a sua tripulação, são momentos que procuramos situar num puzzle poético e distorcido.

Descobrindo o espaço, viajamos lado a lado com os prisioneiros, ao som da banda sonora de Stuart A. Staples dos Tindersticks. Repleto de subtilezas, drones de baixas frequências e gritos orgásmicos, envolve-nos numa hipnose claustrofóbica, enquanto caminhamos pelos corredores da nave iluminada a vermelho, verde e negro. A cada divisão, quarto, laboratório ou jardim, vamos descobrindo as razões do que antecipamos e questionando as respostas que já nos foram dadas.

"High Life" é desejo e solidão. E a elipse temporal fechar-se-á com pai e filha perdidos no espaço, últimos sobreviventes de uma expedição que tinha como fim a reprodução...

"High Life": nos cinemas a 13 de junho.

Crítica: Daniel Antero

Saiba mais no site Cinemic.

Trailer:

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