eco.sapo.pteco.sapo.pt - 12 jun 14:46

Apetite por dívida afunda juros da periferia. Bunds brilham

Apetite por dívida afunda juros da periferia. Bunds brilham

Vários países da Zona Euro foram ao mercado emitir obrigações de longo prazo. Forte procura fez baixar os juros, levando Portugal a conseguir a taxa mais baixa de sempre a dez anos.

A procura por dívida dos quatro países da Zona Euro que estão no mercado de dívida pública superou os 60 mil milhões de euros. Com os investidores a mostrarem forte interesse por obrigações, Portugal, Espanha e Alemanha viram os juros das emissões a caírem — no caso da República portuguesa para mínimos históricos –, enquanto Itália ainda está no mercado.

No dia em que Portugal conseguiu emitir dívida a 10 anos com um juro abaixo de 1% pela primeira vez, há vários países da Zona Euro no mercado e todos estão a ter sucesso. O Tesouro português emitiu 625 milhões de euros com maturidade em 2029, tendo conseguido uma taxa de 0,639%, bem como outros 625 milhões de euros em OT a 15 anos com uma taxa de 1,052%.

No total, a procura por dívida portuguesa atingiu os 2,145 mil milhões de euros. Já em Espanha foram colocados seis mil milhões de euros em obrigações a 10 anos através de venda sindicada com uma yield de 0,6% (segundo dados da Reuters), mas os investidores estavam dispostos a comprar 31 mil milhões de euros em títulos.

Em Itália, a venda sindicada de dívida a 20 anos ainda decorre, sendo que a procura já superava os 23,5 mil milhões de euros. O forte interesse, apesar de ser esperado que a Comissão Europeia inicie medidas disciplinares contra o país devido ao elevado endividamento, deverá levar a um juro mais baixo que em anteriores leilões.

Fora da periferia, também a Alemanha foi ao mercado colocar títulos com a mesma maturidade. Neste caso, para uma oferta de 2,55 mil milhões de euros em Bunds a 10 anos, a procura foi de 4,22 mil milhões de euros, apesar de o juro ser negativo em 0,24%. Os investidores não só estão dispostos a receber menos para deterem dívida dos países da periferia da Zona Euro como, para terem títulos alemãs, até pagam.

No total destas quatro emissões (com Itália ainda em aberto), a procura totalizou 60,86 mil milhões, permitindo aos países beneficiarem de custos de financiamento mais baixos. Os juros das novas emissões alinham com o comportamento das yields em mercado secundário.

Desde o início do ano que tem havido uma forte quebra nos juros das dívidas soberanas da Zona Euro, impulsionada pelos receios de desaceleração da economia mundial, bem como pela política expansionista do Banco Central Europeu.

A instituição liderada por Mario Draghi tem sido um dos grandes compradores de dívida no mercado, através do programa lançado para estimular a economia durante a crise, enquanto mantém a taxa de juro de referência em mínimos históricos. Apesar das expectativas de que uma inversão na estratégia, Draghi atirou, na semana passada, a normalização da política monetária para, pelo menos, o próximo ano.

Fonte: Reuters
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