www.publico.ptpublico.pt - 12 jun 17:08

A tolerância e uma tatuagem contínua uniu 61 desconhecidos. Quer juntar-se? Há duas vagas

A tolerância e uma tatuagem contínua uniu 61 desconhecidos. Quer juntar-se? Há duas vagas

A Momondo criou uma campanha para a qual convidou pessoas de todo o mundo a unirem-se numa tatuagem de “traço único”, The World Piece. E lançou competição para quem quiser ainda juntar-se à iniciativa.

A campanha chama-se The World Piece e foi lançada esta quarta-feira pela Momondo, motor de busca e comparativo de viagens, em simultâneo com os resultados de um inquérito global sobre os valores inerentes às viagens, um estudo que, no geral, conclui que há menos tolerância no mundo entre culturas: 49% dos inquiridos “revelam que somos menos tolerantes para com as outras culturas do que éramos há cinco anos”, período em que foi lançado um projecto similar, resume a empresa em comunicado. 

A partir dos resultados do inquérito – feito a 7300 pessoas em 18 países por uma empresa dinamarquesa de sondagens e pesquisas, Radius –, a Momondo (também com sede na Dinamarca) lançou uma campanha que “pretende promover a tolerância e a diversidade”, “mostrando que todos temos mais em comum do que poderíamos pensar”. O detalhe mais chamativo e mediático concretizou-se numa acção que envolveu 61 pessoas naquela que será, dizem, “a primeira tatuagem de traço único que une pessoas de todo o planeta”, “uma obra de arte inédita no mundo”.

PÚBLICO - Foto DR PÚBLICO - DR PÚBLICO - DR Fotogaleria DR

Segundo explicam, para criar The World Piece, a Momondo abriu candidaturas a quem quisesse fazer parte desta tatuagem de união. Concorreram “milhares”, de entre as quais foram “seleccionadas 61 pessoas de diversos países e contextos” que “usaram a sua pele como tela”. Objectivo: “contar a sua história e mostrar o seu compromisso por um mundo unido”, resume a empresa em comunicado.

PÚBLICO - Foto A tatuagem de Anaíde DR

Os participantes receberam uma tatuagem que é parte de um desenho contínuo que percorre as suas peles como um traço de união - foram tatuados em cada país, numa parceria com Tattoodo – dita a maior comunidade do mundo ligada às tatuagens –, mas o desenho é obra de um célebre tatuador, Mo Ganji, baseado em Berlim e especializado, precisamente, em tatuagens de traço único. Depois, viajaram para Londres, para filmar o vídeo e fazer as imagens. Também contaram as suas histórias, prontas a serem partilhadas com o mundo. Há participantes de Israel à Palestina ou Irão, do Vietname à Indonésia ou China, do Brasil a..., claro, Portugal. No caso, Anaíde, que, por sinal, como refere no seu vídeo de apresentação, trabalha no aeroporto, no check-in, e, curiosamente, nunca tinha viajado.

Entre a publicidade e os valores inerentes às viagens, o vice-presidente de marketing da Momondo para a Europa, Médio Oriente e África, Per Christiansen, explica que a empresa quer mesmo que a The World Piece desencadeie uma conversa global que inspire as pessoas a viajar com uma mente aberta e curiosa, para estabelecerem ligações com outras pessoas e verem que há mais que nos une do que o que nos divide”.

Quer juntar-se à tatuagem?
Aproveitando o lançamento da campanha, a empresa abre concurso a mais dois viajantes que queiram juntar-se à tatuagem da união. “Serão seleccionados dois vencedores de países e culturas diferentes, com base nas suas razões para quererem unir o mundo”, resumem. O prémio é uma viagem de três dias a Berlim, com voo e hotel. Aqui, receberão a continuação da tatuagem de traço único aplicada por Mo Ganjo. Além destes dois novos viajantes tatuados, a empresa vai também oferecer 1000 euros a mais 20 concorrentes para “visitarem o país com maior potencial para abrir a sua mente ao mundo”. A página da competição está aqui e o regulamento completo aqui.

Esta não é a primeira vez que a empresa consegue, sob motes similares, tornar virais as suas campanhas e motes. Uma das mais célebres iniciativas dos últimos tempos foi The DNA Journey, que revelava a herança genética surpreendendo os participantes - e originando milhões de visualizações.

Os números do estudo "The Value of Traveling"

Um mundo menos tolerante?
Em comparação com um estudo similar realizado em 2016, "The Value of Traveling 2019" traz conclusões algo decepcionantes para muitos viajantes, é certo, mas também algumas mais positivas. Eis uma selecção de algumas:

  • um em cada dois dos inquiridos acha que as pessoas estão menos tolerantes para com outras culturas do que há cinco anos
  •  um em cada quatro dos inquiridos acha que a tolerância irá diminuir ainda mais em 2019
  • 70% acredita que viajar deu-lhes uma visão mais positiva de outras culturas
  • 51% acredita que haveria mais paz se as pessoas viajassem mais
  • 59% acredita que haveria menos intolerância se as pessoas viajassem mais
  • 69% acredita que pode fazer algo pessoalmente para ajudar a resolver os desafios do futuro
  • 59% defende que é necessário ser muito cuidadoso na relação com outras pessoas - 39% acha que não se pode confiar na maioria das pessoas
  • 43% não confiam muito ou nada em pessoas de outras nacionalidades
  • 61% acredita que há mais coisas a unir-nos do que a dividir-nos

Dados do estudo: 7300 inquiridos, em 18 países (cerca de 400 inquiridos em cada) - Austrália, Bracil, China, Dinamarca, Finlândia, França, Finlândia, Alemanha, Itália, México, Noruega, Portugal, Rússia, África do Sul, Espanha, Suécia, Turquia, Reino Unido e EUA. Foi conduzido pela empresa Radius, via questionários online traduzidos para as 13 línguas nativas dos países, entre 25 de Fevereiro e 6 de Março de 2019.

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