expresso.ptexpresso.pt - 12 jun 08:42

Tem cinco anos e é o primeiro caso confirmado no Uganda do surto de ébola na RDC

Tem cinco anos e é o primeiro caso confirmado no Uganda do surto de ébola na RDC

A criança terá atravessado a fronteira congolesa com a sua família no domingo, tendo sido transportada para um hospital ugandês depois de exibir sintomas preocupantes como vomitar sangue. A ministra ugandesa da Saúde revelou que a família do menino estava a ser vigiada, incluindo dois elementos que exibiam sintomas semelhantes aos do ébola

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou esta terça-feira o primeiro caso no Uganda do surto de ébola na vizinha República Democrática do Congo (RDC). Trata-se de um menino de cinco anos que terá atravessado a fronteira da RDC com a sua família no domingo.

A criança foi transportada para um hospital ugandês depois de exibir sintomas preocupantes como vomitar sangue, revelaram as autoridades. O diagnóstico foi então confirmado pelo Instituto de Investigação de Vírus do Uganda.

Num comunicado conjunto, o Ministério da Saúde do país e a OMS anunciaram ter enviado uma equipa de resposta rápida para identificar outras pessoas em risco. O Uganda já vacinou cerca de 4700 profissionais de saúde contra o vírus, acrescenta o documento.

A ministra ugandesa da tutela, Jane Ruth Aceng, disse, em conferência de imprensa, que a família do menino estava a ser vigiada, incluindo dois elementos que exibiam sintomas semelhantes aos do ébola.

Grandes surtos de doenças mortais como o ébola são um “novo normal”, alerta OMS

A RDC está a lidar com o segundo maior surto de sempre, apenas três anos depois de ter terminado o maior surto mundial. Já foram detetados mais de dois mil casos de ébola e mais de 1300 mortes foram registadas durante o surto atual. Entre 2014 e 2016, o maior surto a nível global afetou mais de 28 mil pessoas, sobretudo na Guiné, Libéria e Serra Leoa, provocando mais de 11 mil mortos.

Na semana passada, a OMS alertou que o mundo está a entrar numa “nova fase” em que grandes surtos de doenças mortais como o ébola são um “novo normal”. Surtos anteriores de ébola afetaram um número relativamente pequeno de pessoas, em contraste com o que se vive atualmente na RDC, por exemplo.

“Estamos a entrar numa nova fase de epidemias de alto impacto e não é apenas o ébola”, disse à BBC o diretor executivo do programa de emergências de saúde da OMS, Michael Ryan. O mundo “está a assistir a uma convergência de riscos muito preocupante” que aumenta os perigos de doenças como o ébola, a cólera e a febre amarela, acrescentou.

As alterações climáticas, as doenças emergentes, a exploração da floresta tropical, as populações grandes e altamente móveis, os governos fracos e os conflitos estão a tornar os surtos mais prováveis de acontecerem e de aumentarem de dimensão de cada vez que ocorrem, alertou ainda o responsável da OMS.

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