eco.sapo.ptAntónio Costa - 11 jun 12:16

Constâncio sabia o suficiente para travar crédito a Berardo

Constâncio sabia o suficiente para travar crédito a Berardo

Vítor Constâncio foi governador do Banco de Portugal. Ou melhor, passou por lá. Mas talvez também já se tenha esquecido.

Vítor Constâncio poderia (e deveria) ter travado a concessão de crédito da Caixa Geral de Depósitos a Joe Berardo para tomar uma posição superior a 5% no BCP, apenas com a garantia das próprias ações. E não travou. É o que fica claro da investigação do Público e das meias-respostas de Constâncio, que servem apenas para confirmar, se fosse preciso, que o seu consulado no Banco de Portugal foi pouco menos do que um desastre.

É escusado a Vítor Constâncio repetir que não cabe ao Banco de Portugal a aprovação de créditos a clientes. Não é isso que está em causa, não foi isso que a jornalista Cristina Ferreira, do Público, escreveu. O que está em causa é mesmo a palavra do antigo governador quando disse, na Comissão de Inquérito, que não sabia dos créditos tóxicos da CGD, especialmente a Joe Berardo. Por amnésia, por falta de memória. Pela segunda vez em contradiç��o nesta comissão de inquérito.

O Banco de Portugal recebeu, como é de lei, o pedido de autorização de Berardo para ultrapassar os 5% do capital, e nesse momento, em 2007, pediu ao “empresário” madeirense para explicar como é que financiaria a operação. Foi nesse momento que Constâncio e o Banco de Portugal souberam do financiamento da CGD e das respetivas condições. Poderia, nesse momento, ter travado a operação por falta de garantias de que, no futuro, não teria condições para acorrer a novos aumentos de capital. E a CGD só libertou o empréstimo que já tinha aprovado depois do ‘ok’ do Banco de Portugal.

Depois da amnésia, Constâncio ainda tentou a tese de que não estava presente na reunião do conselho de administração que aprovou formalmente a decisão de permitir a Berardo o reforço da posição acionista. São manobras e habilidades para fugir à responsabilidade como governador. Pela participação, por ato e omissão (deliberada) num mecanismo, numa rede de interesses, que criou um polvo político, financeiro e empresarial que levou o país à bancarrota.

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