observador.ptobservador.pt - 18 mai 01:21

“Não cheguem atrasados”. Catarina Martins assume europeias como primeira volta de outubro

“Não cheguem atrasados”. Catarina Martins assume europeias como primeira volta de outubro

A coordenadora do BE voltou a surgir na campanha para fazer um apelo ao voto. Catarina Martins assumiu que estas europeias são a antecâmara das legislativas e pediu para ninguém “chegar atrasado".

Catarina Martins regressou à campanha das europeias no dia em que a caravana do Bloco de Esquerda passou pela sua cidade: Aveiro. Perante uma sala cheia, onde as cadeiras não foram suficientes para acomodar toda a gente que quis assistir ao comício, a coordenadora do partido quis deixar um apelo claro ao voto no partido. “Quem chegar atrasado às eleições europeias chega atrasado em outubro para aumentar os salários e para aumentar os direitos”, afirmou.

A frase serve de apelo ao voto mas também faz as vezes de um aviso, confirmando aquela que tem sido a narrativa do partido: estas europeias são as primárias das legislativas de outubro. E mais: o que se decide nas dois atos está interligado. As conquistas desta legislatura foram conseguidas com a “determinação do Bloco cá e com a força da Marisa lá“, considerou.

Por isso, Catarina Martins pede que o voto recaia no Bloco de Esquerda, para que a estratégia do partido tenha uma avaliação positiva nas urnas. Tanto em maio como em outubro. Não deixa de ser relevante que esta afirmação entre na campanha no mesmo dia em que foi revelada uma sondagem para o semanário Expresso que coloca o partido como terceira força política mais votada, com 9% das intenções de voto e uma estimativa de eleição de dois eurodeputados.

Números que Marisa Matias, em declarações aos jornalistas no fim do comício, desvalorizaria. “Respeito muito o trabalho de quem faz as sondagens, mas o voto é das pessoas e é isso que conta”, diria.

Na sua intervenção já tinha ignorado a sondagem e a boa posição em que coloca o partido — recorde-se que há cinco anos o partido só elegeu uma eurodeputada e foi o último dos partidos que elegeram. A cabeça-de-lista preferiu concentrar o seu discurso em dois temas: o estatuto do cuidador informal e a fuga fiscal.

Sobre o primeiro, a eurodeputada já tinha falado durante o dia e voltou a reforçar a necessidade de fazer aprovar o estatuto que está a ser discutido no Parlamento. Foi, por isso, sobre o segundo tema que mais se debruçou. Segundo Marisa Matias, Portugal perde todos os anos “780 milhões de euros em IRC para paraísos fiscais”. Uma valor que “é quase uma década de aumentos extraordinários das pensões. É extraordinário não é? De tão injusto que é…”, lamentou.

Criticou as “grandes empresas” e os fundos como o Apollo e assegurou que continuará a lutar por um combate eficaz a esta fuga de impostos. “Sabem que não desisto facilmente”. Lembrou que o partido sempre esteve “do lado que enfrentou” essas empresas e fundos e, garantiu, “não nos esquecemos, temos memória”.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.
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