observador.ptobservador.pt - 17 mai 15:22

Rei emérito da Bélgica paga multa de 5 mil euros por dia se não fizer teste de paternidade

Rei emérito da Bélgica paga multa de 5 mil euros por dia se não fizer teste de paternidade

Delphine Boël, hoje com 50 anos, exige o teste desde 2013. Conseguiu provar em 2018 que o até então pai biológico não o era. O tribunal quer que Alberto II, 84 anos, faça uma prova de ADN.

O rei emérito da Bélgica terá de pagar uma multa de 5 mil euros por dia se não aceitar fazer um teste de paternidade. A decisão é do tribunal de Bruxelas. Alberto II, de 84 anos, que abdicou do trono há seis anos, foi confrontado com a exigência de Delphine Boël, que alega ser sua filha.

A decisão do tribunal surge na sequência da recusa do monarca de se submeter a um teste de saliva para aferir a paternidade (ou não).

A defesa entende que a medida não pode ir avante, porque há um recurso pendente no tribunal de última instância da Bélgica. Mesmo para um rei emérito, uma multa de 5 mil euros por dia faz mossa. São mais de 1,8 milhões por ano. Alberto II vive com 961 mil euros do Estado.

Como o caso rebentou

Foi em 2013 que a mulher fez o primeiro pedido de uma prova de ADN. A batalha judicial dura, portanto, há seis anos.

A história, porém, começa muito antes. Soube-se dos problemas matrimoniais da família real em 1999, quando foi publicada uma biografia não autorizada da rainha Paola, atualmente com 81 anos, esposa de Alberto II.

Quando o rei adbicou do trono, em 2013, por motivos de saúde, a baronesa de Selys Longhcamps rompeu o silêncio e deu a conhecer ao mundo que manteve uma relação com o rei, durante anos. Contou que o casamento com a rainha esteve à beira do divórcio em 1969 e 1976 e chegou mesmo a difundir publicamente fotografias de Delphine, ainda jovem (atualmente tem 50 anos), junto do monarca. A relação entre a mãe e o rei terá decorrido durante os anos 60.

Meses depois do primeiro pedido de teste de paternidade, Alberto II assumiu, numa entrevista à RTL, que o seu casamento com Paola passou por momentos muito difíceis, mas nunca, nunca reconheceu a paternidade de Delphine.

Entretanto, a 25 de outubro de 2018, veio a descobrir-se que Jacques Boël, até aqui considerado o pai de Delphine, não era o seu pai biológico, o que deu mais força às exigências da mulher. A justiça determinou então que um hospital de Bruxelas avançasse com uma avaliação genética para comprar o seu ADN com o do rei emérito.

Esta polémica surge numa altura em que o o estado de saúde do monarca está frágil. Alberto II teve de ser operado por problemas cardiovasculares (tem estenose aórtica).

Se Boël conseguir provar que é filha do rei emérito, vai poder adotar o nome Delphine Van België e obter o título de princesa. Terá, naturalmente, direito a parte da herança (um oitavo da propriedade de Albert), metade da qual destinada aos seus filhos. A decisão judicial relativa ao recurso apresentado pela defesa do monarca deve ser conhecida antes do final do ano.

1
1