expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 20:04

550 funcionários eleitorais indonésios morreram de exaustão. Uma quantidade anormal? Estatística diz que não

550 funcionários eleitorais indonésios morreram de exaustão. Uma quantidade anormal? Estatística diz que não

Vendo a taxa de mortalidade no país e considerando as circunstâncias que estavam em causa, o número está dentro do que seria previsível, sugere a BBC

As eleições na Indonésia são das maiores no mundo - e as maiores a ter lugar num único dia. Os votantes são 190 milhões (dos quais uns 80 por cento votam efetivamente), distribuídos por 18 mil ilhas, e mais de sete milhões de pessoas trabalham na maquinaria eleitoral, que envolve 800 mil mesas de voto.

Há semanas, depois das eleições de 17 de abril - presidenciais, nacionais e regionais - soube-se que mais de 550 desses trabalhadores tinham morrido. A maioria, ao que parece, de exaustão, relacionada com as condições duríssimas em que tiveram de fazer o seu trabalho.

O número chamou a atenção, e exigiu-se um inquérito parlamentar. Mas a BBC resolveu ir ver se o número era de facto anormal. Numa rubrica intitulada "Reality Check" (verificação da realidade, numa tradução livre), tomou-se como ponto de partida a taxa de mortalidade anual no país - 7,16 pessoas por cada mil. Aplicando essa taxa ao número de pessoas que trabalharam nas eleições e dividindo pelos dias do ano, obtém-se o número de 173 mortes diárias.

A seguir estimou-se em quatro dias o tempo médio de trabalho dessas pessoas, e rapidamente se percebe que o número de mortos nada teve de anormal. Em especial considerando que muitos dos trabalhadores tinham mais de 50 anos, e a maioria das mortes ocorreu em pessoas de idade relativamente avançada, não raro com problemas prévios de saúde, respiratórios e outros.

O calor intenso não ajudou e o facto de as contagens se fazerem à mão, e tipicamente se prolongarem pela noite fora, também não. Ou seja, num evento com a magnitude das eleições de abril era previsível que houvesse pelo menos 500 mortes. A surpresa talvez seja o não ter havido mais. Embora também seja preciso contar os milhares de pessoas que precisaram de receber assistência médica.

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