expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 16:56

EDP começa o ano a perder dinheiro em Portugal

EDP começa o ano a perder dinheiro em Portugal

É a primeira vez que a elétrica arranca o ano com prejuízo na operação portuguesa no primeiro trimestre. De janeiro a março a EDP perdeu 23 milhões de euros e as perspetivas para o resto do ano não são animadoras

Os resultados do primeiro trimestre, que a EDP esta sexta-feira apresentou de forma mais detalhada aos analistas do mercado, revelam que a operação portuguesa da elétrica gerou de janeiro a março um prejuízo de 23 milhões de euros, o que configura a primeira vez que o grupo arranca um ano com resultados negativos em Portugal.

Os números da EDP indicam que nos últimos anos os ganhos da operação em Portugal têm encolhido, mas é a primeira vez que ficam no vermelho logo no arranque do exercício. No primeiro trimestre de 2015 a EDP chegou a ter um lucro de 175 milhões de euros em Portugal, mas o ganho caiu para pouco mais de metade (94 milhões de euros) no primeiro trimestre de 2016. No arranque de 2017 o lucro em Portugal ficou em 68 milhões, e no trimestre inicial de 2018 caiu para 22 milhões.

Os 23 milhões de euros de prejuízos em Portugal neste primeiro trimestre do ano são justificados pela empresa com efeitos adversos no plano regulatório, com destaque para a Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético (CESE), os encargos com a tarifa social e a queda na taxa de remuneração da EDP Distribuição, entre outros fatores.

Houve ainda um impacto negativo da menor produção hidroelétrica, que dificilmente recuperará no segundo e terceiro trimestres (devido ao tempo seco do Verão), o que poderá dificultar a capacidade da EDP de no curto prazo gerar maiores ganhos em Portugal que compensem as perdas do primeiro trimestre.

Esta quinta-feira a EDP já tinha avançado ao mercado os seus resultados do primeiro trimestre, que se traduziram numa redução de 39% do lucro do grupo, para 100 milhões de euros.

A apresentação à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) enfatizava, como justificações para a queda do lucro, o pagamento de impostos acima do previsto, o agravamento do resultado financeiro e a menor produção de origem renovável.

Mas na apresentação desta sexta-feira aos analistas de mercado a EDP detalhou os números das várias operações, mostrando que ao contrário do prejuízo de 23 milhões de euros, os restantes negócios deram lucro (39 milhões de euros em Espanha, 50 milhões na EDP Renováveis e 35 milhões no Brasil).

O ano 2018 foi o primeiro da história da empresa em que a EDP contabilizou um prejuízo em Portugal, motivado pelas provisões de 285 milhões de euros constituídas no terceiro trimestre do ano para fazer face à decisão do Governo de obrigar a empresa a devolver as alegadas sobrecompensações do regime CMEC - Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual.

Essa devolução, que a EDP já está a contestar em tribunal, deverá penalizar as contas da EDP em Portugal nos próximos três anos. A esse fator soma-se o corte na remuneração regulada da EDP Distribuição e uma conjuntura globalmente exigente para a empresa.

Com nova concorrência prestes a entrar no mercado de produção de eletricidade em Portugal, sobretudo por via das grandes centrais solares que estão a ser construídas e licenciadas, o negócio de geração elétrica da EDP poderá enfrentar, a breve prazo, uma pressão acrescida nos preços de venda.

Este contexto é agravado, no que respeita à rentabilidade da operação portuguesa da EDP, pelo quadro de concorrência na comercialização de energia, que se vem traduzindo em margens relativamente reduzidas para a generalidade dos fornecedores de eletricidade (a própria EDP Comercial teve recentemente prejuízos nesta área de negócio).

1
1