expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 19:27

Câmara espera solução para a linha de Cascais até às eleições de outubro

Câmara espera solução para a linha de Cascais até às eleições de outubro

Autarca de Cascais diz que a ida de Pedro Nuno Santos para o Governo lhe deu esperanças de que os investimentos urgentes na ferrovia e a criação de duas faixas para transporte na A5 sejam finalmente desbloqueados

O presidente da câmara municipal de Cascais, Carlos Carreiras, acredita que ainda com este Governo será possível alcançar um acordo para os investimentos que considera urgentes na linha de Cascais. Em causa estão obras na infraestrutura e a criação de duas faixas para transporte público na A5.

O transporte ferroviário é uma peça essencial na estratégia de mobilidade que o município tem estado a tentar implementar e que passa pela transferência do transporte individual para o transporte coletivo. Mas o estado da linha de Cascais há muito que recebe críticas do autarca.

Em declarações ao Expresso, Carlos Carreiras elogia a medida do Governo de reduzir os preços dos passes, nomeadamente com a criação, na área metropolitana de Lisboa, dos passes metropolitanos, que custam 40 euros.

“É preciso haver oferta para poder compensar essa extraordinária medida que tem um impacto social, económico e ambiental fortíssimo. É uma medida transformadora, o governo está de parabéns por ter decidido tomá-la”, diz Carlos Carreira.

“É uma grande medida mas que tem o risco de, não havendo maior oferta de autocarros, comboios ou barcos, se tornar numa péssima medida. Se alguém faz a mudança do transporte individual para o coletivo e depois chega lá e não tem resposta, fica muito mais difícil recuperar esse cidadão um dia mais tarde, para o transporte coletivo”, afirma.

“Os munícipes estão a aderir cada vez mais ao transporte coletivo”, adianta Carlos Carreiras. Considerando que “não podemos fazer um ataque ao transporte individual”, defende que têm de ser criadas condições para que as pessoas passem a preferir o transporte público. Mas isso passa por melhorar a oferta de transportes. O que remete para o atual estado da linha de Cascais.

“É absolutamente fundamental resolver o problema do transporte ferroviário entre Lisboa e Cascais. Batemo-nos muito por isso, tínhamos uma solução fechada com o governo de Pedro Passos Coelho que não foi assinada porque estávamos próximos das eleições e que passava por o Estado garantir o investimento na infraestrutura e concessionar o serviço. Com a entrada deste Governo e a ida de Pedro Marques para ministro isso foi descontinuado, por razões, acredito eu, meramente ideológicas.”

Carreiras adianta que “quer Cascais, quer Oeiras, quer Lisboa tiveram sempre uma relação de grande abertura com o anterior governo – o acordo assinado não era o que as câmaras queriam mas foi o possível e resolvia o problema”. No entanto, “com o ministro Pedro Marques houve um bloqueio total, não falava com ninguém, não dava explicações a ninguém. Tenho agora a convicção de que com a alteração de ministro e a ida de Pedro Nuno Santos para o ministério mudou completamente essa perspetiva, tenho grandes expectativas que com ele seja possível resolver a questão”.

“Foi anunciado pelo anterior ministro Pedro Marques pelo menos 6 vezes que ia investir 50 milhões na linha”, acrescenta. O problema é que “entre tomar a decisão e passar todos os procedimentos legais e técnicos, demora no mínimo 10 anos a aplicar esse investimento. A linha de Cascais não aguenta isso”.

“Das conversas que tive com o ministro ficou a ideia de fazer um investimento rápido relacionado com a segurança da infraestrutura e ao mesmo tempo preparar o modelo de concessão que poderá passar por recuperar o modelo que estava acordado com o governo anterior. Esse modelo não está excluído pelo atual ministro, é um avanço. A atitude deste ministro nada tem a ver com a não atitude de Pedro Marques”, acrescenta.

Ao mesmo tempo o autarca espera que seja iniciada pelo Governo a negociação com a Brisa para criar duas faixas de transporte público na A5, que poderão ser usadas para transporte rodoviário ou ferroviário, o que permitiria aliviar a pressão sobre a linha de Cascais. “Não podendo a linha ficar 10 anos à espera desse investimento, uma solução mitigadora numa primeira fase – que depois passaria numa segunda fase como solução de desenvolvimento – é utilizar a A5 com duas novas faixas de rodagem exclusivas para o transporte pendular para Lisboa, numa solução que poderia ser por via rodoviária ou ferroviária, por metro. A câmara de Cascais manifestou ao ministro total disponibilidade para investir, nomeadamente nos novos acessos à A5 e em grandes parques de estacionamento. No eixo da A5 ainda há terrenos disponíveis para fazer investimento em parques de estacionamento. Teríamos assim dois grandes movimentos pendulares para Lisboa, o comboio da linha de Cascais e este, o que retirava pressão à linha de Cascais. Esta solução era o mesmo que termos uma linha de comboios junto da A5 e que serviria localidades como a Abóboda, Tires, Alcabideche”.

"Pelos contactos que fiz, há total disponibilidade e interesse da Brisa em fazer essa negociação e agora do governo com o ministro Pedro Nuno Santos. Está a ser agendado o reinício dessa negociação da concessão da A5. Antes havia só intenções do anterior ministro sem ter feito nada. Tenho alguma solidariedade com o atual ministro porque quem ouvisse o anterior parecia que estava tudo feito e não estava", acrescenta Carreiras.

“Tenho a aspiração de até às eleições legislativas de outubro podermos assinar com o atual Governo os documentos para esses investimentos”, diz.

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