expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 13:19

Há um problema de falta de ambição no país, diz Horta Osório

Há um problema de falta de ambição no país, diz Horta Osório

O Presidente executivo do Lloyds Bank aponta a Alemanha como exemplo e deixa três alertas: crédito mal parado, endividamento de Portugal e problema demográfico. "É obviamente possível fazer mais e melhor", diz

Horta Osório, presidente executivo do Lloyds Bank deixou esta sexta-feira um alerta sobre o nível do crédito mal parado na banca portuguesa. Em geral, o sector está a ir "no bom caminho" e "os bancos estão a apresentar resultados positivos", "mas não devemos ser complacentes porque ainda há muito para recuperar", disse o gestor, citado pela Lusa.

Considerando "preocupantes" os níveis e percentagens de crédito mal parado, na ordem dos 15%, Horta Osório sustentou que "ainda há muito a fazer" nesta matéria, até porque mesmo que o valor desça até aos 10% "ainda é muito alto".

Outro ponto crucial é a redução do nível de endividamento, ainda nos 120% do Produto Interno Bruto. "É um valor alto em termos absolutos e é um valor alto se compararmos com países como Itália ou Espanha", já a Alemanha "é um exemplo não só europeu, mas mundial. É um país rico que vive dentro das suas possibilidades", disse durante uma intervenção na conferência "Exportações e Investimento " da AICEP, naa Nova Scholl of Business and Economics, em Carcavelos.

Horta Osório apontou mesmo um problema de "falta de ambição a Portugal", comentando as projeções de crescimento económico para os próximos três anos, que apontam para uma taxa à volta dos 2% em Portugal, o que é "manifestamente pouco", apesar de estar em linha com a Irlanda, Espanha e zona Euro. "Deveríamos ter mais ambição para o país em termos de crescimento", defendeu, recordando que a Irlanda conseguiu criar o dobro da riqueza de Portugal, o que mostra ser "obviamente possível fazer mais e melhor".

Mas falar de economia e crescimento também significa falar de demografia. E o gestor vê, exatamente neste ponto "um terceiro problema" para a economia portuguesa. Por isso, apela a um pacto superpartidário para as próximas décadas e defende desde já três linhas de atuação: garantir o aumento da taxa de natalidade,atrair os jovens que deixaram o país na última década a regressar e a trazer, também, cidadãos estrangeiros com incentivos que não sejam apenas fiscais.

Em declarações aos jornalistas à margem da conferência, Horta Osório falou, ainda da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, dizendo tratar-se de "uma questão essencial em termos de transparência e confiança dos portugueses".

Estimando que a injeção de capital no banco público custou cerca de 2 mil euros a cada família, afirma que os portugueses precisam de saber "o que aconteceu" e têm de perceber se foram ou não tomadas decisões adequadas.

Sobre o empresário Jo Berardo, Horta Osório evitou, no entanto, responder, alegando não querer fazer "comentários em particular, personalizados".

"Penso que é um princípio fundamental de transparência e justiça saber exatamente o que se passou com os grandes problemas que originaram essa injeção de capitais dos portugueses. E as audições no parlamento, obviamente, vão nessa direção, o que é positivo", afirmou ainda.

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