expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 16:59

Easyjet: Aeroporto de Lisboa “é um caso exasperante”

Easyjet: Aeroporto de Lisboa “é um caso exasperante”

Em declarações ao Expresso, o diretor da companhia aérea em Portugal lamenta que se estejam “a perder oportunidades que não vão regressar”, referindo-se à necessidade de soluções a curto prazo para reforço de capacidade

A economia portuguesa não pode ficar à espera da conclusão das obras do aeroporto de Lisboa e da adaptação do aeroporto do Montijo, para arranjar soluções de aumento de capacidade e atratividade da capital. Fazê-lo é desperdiçar oportunidades “que não vão regressar”, defende o diretor da Easyjet em Portugal.

Em declarações ao Expresso a pretexto da apresentação dos resultados semestrais do grupo, José Lopes defende que “Lisboa é um caso exasperante”. Para o responsável, não está a ser aproveitado devidamente o maior interesse que tem existido em Portugal (e em particular em Lisboa) enquanto destino turístico.

O diretor da Easyjet em Portugal explica que se tem verificado “um aumento da procura para leste do Mediterrâneo”, para países como a Grécia, a Turquia, Israel e o Egipto, que na prática significa um regresso dos turistas a mercados que sempre foram apreciados e muito procurados, em resultado da menor turbulência vivida agora nessas regiões. Ainda que a aposta de Portugal seja o turismo de qualidade, mas “se não conseguirmos aproveitar” enquanto as atenções estão viradas para Portugal, corremos o risco de perder para mercados que são “muito atraentes e com quem temos alguma dificuldade em competir”.

“Precisamos de tomar medidas com urgência para libertar capacidade para que se possa continuar a crescer. Pelo menos alguma libertação de slots para combater esta viragem para Oriente”, sublinha.

“A nossa economia não pode dar-se ao luxo de esperar. E isso pode fazer feito se todos os stakeholders tomarem medidas” refere, acrescentando que se não houver aumento de capacidade, 2020 prepara-se para ser o terceiro ano “com crescimento quase zero de slots disponíveis”.

Uma das soluções que a companhia tem encontrado para fazer face às actuais limitações, tem sido a utilização de aeronaves com maior capacidade. Assim, para as mesmas rotas, tal é feito com a substituição, quando se justifica, de aviões A319 por A320 ou de A320 por A321.

No agregado do mercado português, a Easyjet aumentou a sua capacidade em 10%, tendo crescido em 8% no Porto para perto de três milhões de passageiros.

A companhia tem apostado no esbatimento da sazonalidade no Algarve, tendo a oferta para Faro aumentado 21%. “Nos dois últimos invernos aumentámos a nossa capacidade em perto de 40%, fechando este primeiro semestre ultrapassando a fasquia dos 600 mil, para mais de 625 mil passageiros”, adianta José Lopes. Atualmente, a Easyjet opera 64 rotas em Portugal.

Uma das estratégias que tem sido utilizada pela companhia para atrair passageiros e manter o crescimento é a redução da sua tarifa média que passou de 47 para 43,8 libras. “Daí continuarmos a insistir na contenção das taxas de aeroporto” para que não sejam só as companhias a trabalhar para aumentar a atractividade de Portugal.

Easyjet fecha semestre com perdas apesar de subida nas receitas

A Easyjet terminou o primeiro semestre do seu exercício - Outubro a Março - com receitas de 2.343 milhões de libras (cerca de 2,6 mil milhões de euros) a nível global, reflectindo um aumento de 7,3% face a igual período do ano anterior. A companhia aérea explica, em comunicado, que este resultado tem origem no “aumento da capacidade” e no “lucro cambial negativamente contrabalançado pelo abrandamento do mercado relacionado com o Brexit, o impacto da deslocação da Páscoa, a nova norma de contabilidade IFRS 15 e a anualização dos proveitos obtidos no exercício anterior com a falência da Monarch e o cancelamento de uma grande parte dos voos agendados pela Ryanair para o inverno de 2017/2018 no Reino Unido”. O total de receitas por assento diminuiu 6,3%.

Nos custos, houve uma subida de 3,9% para no custo global por assento para as 56,6 libras (cerca de 64,65 euros) “em resultado dos aumentos de preço do combustível, do impacto cambial, da inflação de custos subjacentes, do investimento em iniciativas estratégicas e de resiliência, bem como do impacto dos drones no aeroporto de Gatwick em dezembro”, explica o comunicado.

Em resultado, o total de perdas globais antes de impostos foi de 275 milhões de libras”, aproximadamente 314,1 milhões de euros, em resultado “fatores determinantes para as receitas e os custos”, “da habitual sazonalidade da easyJet e do aumento de capacidade”. O facto de a Páscoa ter sido mais tarde este ano, já na segunda metade de Abril, também afectou as contas deste primeiro semestre da Easyjet.

O n��mero de passageiros era, no final do semestre, de 41,6 milhões mais 13,3% do que no período homólogo de 2018. A capacidade aumentou 14,5%.

O grupo mantém a sua estimativa de lucros para o final do exercício, que terminará em Setembro, “em linha com as expectativas do mercado”. Os analistas prevêem um resultado positivo a rondar os 435 milhões de libras (497 milhões de euros aproximadamente).

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