observador.ptobservador.pt - 17 mai 15:34

Estados Unidos recusam assinar compromisso contra o extremismo online

Estados Unidos recusam assinar compromisso contra o extremismo online

Compromisso foi assinado por 17 países e cinco gigantes tecnológicas. A Casa Branca justificou a recusa com as preocupações relativamente à liberdade de expressão, mas é um país com um papel decisivo.

Os Estados Unidos não quiseram assinar um compromisso subscrito por 17 países e cinco gigantes tecnológicos, promovido pela Nova Zelândia e pela França para avançar com medidas contra o extremismo online. Uma tentativa de respondeu aos tiroteios em duas mesquitas em Christchurch, onde 51 pessoas foram mortas, em março.

A Casa Branca justificou a recusa com as preocupações relativamente à liberdade de expressão. Acontece que os Estados Unidos são um país com um papel decisivo neste campo, uma vez que é lá que ficam as sedes das gigantes tecnológicas.  É mais um exemplo de como o país liderado por Donald Trump está em conflito com aliados próximos, ficando de fora da maior campanha formal, até ao momento, contra os conteúdos extremistas e violentos disseminados na internet.

Embora entenda que, neste momento, não está em condições de apoiar formalmente o compromisso, a administração de Trump diz que continua “a apoiar os objetivos” do mesmo. Porém, diplomaticamente os Estados Unidos fizeram-se representar por uma pessoa com pouco peso político na reunião em Paris.

“Continuamos proativos em nossos esforços para combater o conteúdo terrorista online e, ao mesmo tempo, respeitamos a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Encorajamos as empresas de tecnologia a impor seus termos de serviço e padrões comunitários que proíbam o uso de suas plataformas para fins terroristas”.

A única ação que a Casa Branca tomou, interessada, foi lançar um site, no mesmo dia do encontro (15 de maio) um site para encorajar as pessoas a denunciar “tendências políticas” por parte de órgãos de comunicação social. Trump e os republicanos têm feito nos últimos meses bastantes críticas aos média por apagarem conteúdos alegadamente extremistas, que para a administração Trump e a ala direita norte-americana podem não ser. Não querem, no fundo, que haja censura a todas as vozes da direita.

Assinaturas e promessas

Nova Zelândia, França, Reino Unido, Canadá, Jordânia, Indonésia, Irlanda, Jordânia, Noruega, Senegal, Austrália, Alemanha, Japão, India, Holanda, Espanha e Suécia assinaram o compromisso “Christchurch Call”, apresentado em Paris. As empresas subscritoras são a Amazon, Facebook, Google, Microsoft e Twitter. Todas se comprometeram a trabalhar numa maior e mais estreita colaboração para assegurar que as suas plataformas não sejam canais para terroristas.

As cinco empresas emitiram um comunicado conjunto no qual concordam em acelerar a pesquisa e a partilha de informações com os governos após os recentes ataques terroristas. Prometem fazer “tudo” o que puderem “para combater o ódio e o extremismo que levam à violência terrorista”.

Se o presidente executivo do Twitter, Jack Dorsey, esteve entre os participantes, já Mark Zuckerberg não compareceu neste encontro. O Facebook detém tão-só 2,7 mil milhões de contas online, se somarmos as marcas de que é proprietário para além da rede social com o mesmo nome (Instagram, WhatsApp e Messenger).

Ora, este encontro visou precisamente responder à inércia das grandes empresas digitais, em especial o Facebook. O compromisso assinado não é vinculativo, mas é um primeiro passo.  A eficácia é que pode não ser a desejada. “Não é que Facebook ou Twitter não queiram, mas suprimir em tempo real um conteúdo publicado online é, simplesmente, impossível”, afirmou à AFP o chefe de reação do portal francês Next Inpact, Marc Rees.

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