expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 15:30

“Uma cidade cognitiva tem sempre a pessoa no primeiro plano”

“Uma cidade cognitiva tem sempre a pessoa no primeiro plano”

Ontem Israel, hoje Portugal. Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, no segundo dia dos artigos de opinião e mini-entrevistas, que publicaremos até à próxima segunda-feira e antecipam o arranque do “Portugal Smart Cities Summit 2019” - evento com 11 conferências divididas por três dias (21 a 23 de maio) -, foca-se na temática das “Cidades Cognitivas”, painel em que participa para conferir se “O Futuro Passa Aqui” quando falamos de cidades inteligentes. Acompanhe o debate aqui no Expresso, parceiro do evento

O que caracteriza uma cidade cognitiva?

Uma cidade cognitiva é uma cidade ligada. É uma cidade onde quem nela vive, trabalha ou visita, não precisa de transporte pessoal para se movimentar à vontade. É uma cidade que se preocupa com as questões ambientais e que, por isso, além de promover o uso transporte coletivo, promove a mobilidade suave e a partilha de veículos. Mas é uma cidade segura e limpa. É uma cidade onde cada cidadão participa activamente na gestão colectiva. É uma cidade que liga os avanços tecnológicos à melhoria de vida das pessoas. Mas que não fica pela máquina. Tem sensibilidade social e procura harmonizar a vida colectiva. É uma cidade que faz do acesso à cultura uma política social e central. Uma cidade cognitiva tem sempre a pessoa no primeiro plano e cada medida autárquica é orientada para facilitar a vida de todos. Uma cidade cognitiva faz do combate à burocracia um desígnio diário. Facilita, liga, dinamiza e potencia. No fundo, uma cidade cognitiva é o exemplo do que queremos que digam quando se olha para o concelho de Cascais.

Que medidas locais é que podem fazer a diferença para tornar uma comunidade mais inteligente’?

Cascais posiciona-se como uma smart city desde a sua criação, há mais de 650 anos, e como uma terra de early adopters e, por isso, a experimentação de novas soluções tecnológicas tem sido uma bandeira do concelho, que tem já cerca de um milhão de sensores instalados e dispõe de um Centro de Operações preditivo. No entanto, de nada vale ter uma cidade inteligente, se não tivermos uma missão a dar aos nossos colaboradores, concidadãos e a quem nos visita. E para nós, o envolvimento de todos é uma condição essencial para o sucesso. As mudanças de paradigma das cidades obrigam a esta constante busca por soluções inovadoras.

Mas o que é para nós uma Smart City? Tem que ter seis pilares essenciais: Smart Living, Smart Governance, Smart People, Smart Mobility, Smart Economy e Smart Energy & Environment. E procuramos ter respostas em todas estas áreas. Com uma certeza, é preciso garantir que temos os stakeholders certos e mobilizados, que existe um espírito dentro da autarquia relativamente flexível e com vontade de aderir a estas novas tecnologias que estão ao dispor de todos e que estamos abertos ao risco e não temos receio de ser um campo de experimentação.

A prioridade para Cascais são os cidadãos e se a tecnologia vier resolver os problemas dos cidadãos e vier dar melhor qualidade de vida, então a tecnologia é uma prioridade para Cascais. Nós entendemos a tecnologia como um fim em si mesmo, não somos viciados em gadgets. Gostamos de gadgets, mas os gadgets ou a tecnologia que resolvem problemas dos cidadãos. É esse o nosso posicionamento e daí não fugimos.

A vida nas cidades é, como todos sabemos, bastante movimentada e preenchida. O tempo passou, por isso, a ter um valor que até há uns anos não tinha. Essa valorização veio exigir da mobilidade uma outra eficácia e alterou, também, a forma de comércio. Obrigou cada cidade a pensar e a tornar-se “inteligente”.

Se nos anos 90 a moda era criar grandes superfícies em zonas periféricas, hoje a tendência, é inversa. Há uma procura, cada vez maior, pelo comércio de proximidade e pelas compras online. Com isto, as cidades passaram a ter um novo problema, a circulação de mercadorias em zonas centrais, por exemplo. Para evitar que as cargas e descargas tornem a circulação caótica, as cidades tiveram de “inventar” pontos para essas ações. Foi necessário criar uma nova política de estacionamento, limitando-o a curtos períodos de tempo.

Mas temos em Cascais, felizmente, muitos bons exemplos para apresentar. Como o centro de atendimento único, como o login único para as várias plataformas digitais, como os títulos de transporte MOBI Cascais, como é o caso do Cascais Smart Waste, que permite poupar recursos técnicos e financeiros na recolha de desperdícios, como é o exemplo da nossa app Fix Cascais, para a solicitação de intervenções municipais, ou sobre a forma que a autarquia encontrou para premiar a cidadania através da app City Points.

São um conjunto de diferentes projetos, e apenas referimos alguns, mas que têm sempre um ponto de ligação, que não nos cansamos de repetir: a prioridade para Cascais são os cidadãos.

Qual é a importância da Câmara de Cascais se associar a este evento?

É para nós, Câmara Municipal de Cascais, um motivo de orgulho participar no Portugal Smart Cities Summit 2019. Pela distinção do convite, mas sobretudo pela filosofia que nos guia. Acreditamos que o trabalho que desenvolvemos em Cascais sai valorizado se for partilhado com outros municípios. Mas sobretudo, sai melhorado se aprendermos com outros exemplos. A qualidade do programa deste evento fala por si. E se existe qualidade e vontade de partilhar conhecimento, então Cascais marca presença. Acreditamos que a partilha e cooperação são valores acima da competição ou de qualquer ranking. E é partilhando e cooperando que construímos as cidades do futuro.

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