expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 15:42

“17 cabeças de lista e só há uma mulher. É a Marisa Matias”

“17 cabeças de lista e só há uma mulher. É a Marisa Matias”

Em Coimbra, na noite de quinta-feira, com música & poesia, o Bloco meteu a “agenda feminista” na primeira linha da campanha. Com inclusão e com “solidariedade internacionalista”, expressa na presença da cabeça de lista das Unidas Podemos, Maria Eugénia Palop

Foi o mais diversificado, extenso e inclusivo momento da campanha do Bloco às eleições europeias de 26 de maio. Em Coimbra, numa tenda montada no Pátio da Inquisição, na noite fria de quinta-feira, houve música (de Jorge Palma) e poesia (de Ruy Belo, lida pelo mandatário nacional da lista do BE, o ator António Capelo); houve “solidariedade internacionalista” (com a presença das Unidas Podemos, de Espanha); houve tradução em língua gestual portuguesa e a intervenção de Amílcar Morais, candidato do Bloco que é surdo; e houve, sobretudo, uma sessão política em defesa dos direitos das mulheres.

Não que o preâmbulo mais cultural não tenha já sido um programa de forte cunho político e cívico.

“Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal / Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual”, cantou Palma (“Terra dos Sonhos”).

Que também garantiu ( “A gente vai continuar”): “Enquanto houver ventos e mar / a gente não vai parar / enquanto houver ventos e mar”.

Catarina Martins, que discursou pela segunda vez neste período oficial de campanha, apanhou a deixa. Começou por elogiar “uma campanha que se faz com a poesia, com a alegria que não é uma graçola”. Mas tudo em Coimbra foi mote para colocar os direitos das mulheres no centro da discussão.

“Uma agenda feminista não é coisa pouca”, disse a coordenadora do Bloco. “É todo um programa pelos direitos humanos e pela dignidade”.

Catarina elencou uma série de situações e de casos onde as mulheres são discriminadas. Na empresa Triumph, precárias que trabalham em hospitais e escolas que “são despedidas quando engravidam”, “mulheres migrantes e negras”, as “amas da segurança social ou da misericórdias”. Mas são “mulheres que levantam a cabeça”, realçou.

E a coordenadora nacional do Bloco falou sobretudo das cuidadoras informais, “quase 800 mil mulheres que fazem o trabalho invisível pelos mais fracos e vulneráveis”. Uma situação à beira de ter um passo positivo, pois aguarda-se no Parlamento português o estatuto do cuidador informal.

Uma radiografia da realidade portuguesa feita por Catarina Martins para chegar depois a quem, na sua ótica, tem os devidos méritos políticos: “Marisa Matias fez os direitos dos cuidadores informais entrar na agenda europeia e em Portugal”.

Uma temática mais vasta em que o Bloco reclama o seu papel e em que quer dar o exemplo, passando à prática o que defende: “17 cabeças de lista e só há uma mulher. É a Marisa Matias”.

“Quando as mulheres perdem o medo...”

Onde também há uma mulher cabeça de lista é nas Unidas Podemos, em Espanha. Maria Eugénia Palop atravessou a fronteira para estar ao lado de Marisa Matias.

As primeiras palavras foram ditas num português escorreito, ou não fosse ela de Vigo (Galiza), como revelou de seguida, para explicar como tem “Portugal no coração”.

Se o lema desta campanha do Bloco é “lado a lado”, também o foi na noite desta quinta-feira para a candidata espanhola. “Bloco e Unidas Podemos representam aqui a Europa democrática” e são uma “alternativa a todos os Salvini, Merkel e Macron”, disse Palop.

Num ponto que irmana os dois partidos ibéricos, Bloco e Unidas Podemos estão dispostos a “lutar contra a violência de género e a violência machista”, garantiu Maria Eugénia Palop.

Muito trabalho está por fazer. “As nossas filhas continuam a ter medo de sair à noite ou de estar numa rua, como nós tivemos”, disparou com precisão cirúrgica Catarina Martins.

“Andámos muito. Temos muito mais para andar”, concluiu.

Antes, já cantara Jorge Palma (“Ai Portugal, Portugal”): “Enquanto ficares à espera /ninguém te pode ajudar”).

“Quando as mulheres perdem o medo, a sociedade ganha toda”, afirmaria mais tarde Marisa Matias.

Numa salada de línguas ibéricas de que todos perceberam o sentido, afirmou Maria Eugénia Palop: “Unidas podemos cambiar a Europa. O povo é quem mais ordena”.

Quando trocou a viola pelo piano, Palma começou com a “Estrela do Mar”: “Qualquer coisa impossível fez-me acreditar”.

1
1