expresso.ptexpresso.pt - 17 mai 22:02

A melhor maneira de fazer uma grande campanha é quebrar o gelo

A melhor maneira de fazer uma grande campanha é quebrar o gelo

Rangel quer, Amaro ajuda e a arruada nasce: desta vez, e depois de uma amostra de arruada em Viseu, as ruas da Guarda receberam um Paulo Rangel mais inspirado e uma comitiva confiante. À hora a que saía a sondagem Expresso/SIC, que dá ao PSD menos oito pontos que o PS, o candidato a eurodeputado jogava no Euromilhões

“Sabem qual é a melhor maneira de fazer uma grande campanha?”.

Silêncio. Não sabem. Estão à espera da 'punchline'.

“É quebrar o gelo!”.

A piada é feita já a arruada vai a meio, quando o grupo liderado por Álvaro Amaro pára ao lado de um café chamado "Quebra Gelo". A comitiva aproxima-se e o presidente da Câmara da Guarda (e candidato a eurodeputado, pelo que tem o mandato suspenso) aproveita para fazer a graça. Os risos são tímidos, mas Amaro é capaz de ter acertado em cheio: ao quinto dia de campanha, Paulo Rangel esforça-se mesmo por quebrar algum do gelo que ainda o impede de se mostrar à vontade na rua. E o esforço não é em vão.

O quadro está traçado desde o arranque da campanha: nos auditórios e salas com centenas de lugares ocupados, Rangel fala, improvisa, graceja, impressiona; na rua, com uma pessoa de cada vez à frente e uma caixa de canetas na mão para oferecer, mostra-se mais tímido e reservado, poucas vezes fazendo as despesas da conversa. No início da semana, as notícias davam conta das conversas curtas nas feiras a que insistiu sempre em ir; esta quinta-feira, uma arruada com pouca gente na rua em pleno bastião social-democrata (Viseu) reforçou a impressão.

Pois na Guarda, esta sexta-feira, Rangel tratou de a desfazer. Trazia reforços de peso: Álvaro Amaro liderava a comitiva, com o cabeça de lista sempre pouco atrás; aos ‘jotinhas’ juntavam-se, pela primeira vez, apoiantes de outras faixas etárias com os autocolantes cor de laranja colados ao peito; e, mais importante, em vez do modesto bombo que no dia anterior a líder da JSD tocava, desta vez juntou-se toda uma banda local, da aldeia de São Gonçalo, motivada e incansável, sempre a dar força ao grupo.

Rui Duarte Silva

Não se menospreze o elemento musical: a ofuscar qualquer hipótese de silêncio constrangedor, que os houve no passado, os bombos e os tambores emprestam uma espécie de confiança otimista à equipa (os jotas ensaiam cânticos novos: hoje deixam descansar a já clássica rima sobre o familygate - "Anda tudo numa choradeira/Chora o Costa/Chora o Marques/ E a família inteira" - e trazem novo capítulo ao seu repertório, ��E o Rangel vai ganhar/E eu vou ficar/Louco da cabeça/ Nada me interessa”). Desta vez, até Rangel arrisca juntar-se aos coros. Os passos têm confiança e as conversas de rua começam por sua iniciativa. Atrás, as tropas continuam a motivá-lo. À frente, Amaro faz de guia e vai apresentando transeuntes e lojistas como se de família se tratasse.

No final, uma foto de família ao grupo que faz o símbolo de vitória nas escadas empedradas da Sé da Guarda, depois de ter cantado que “Já só faltam nove dias para a vitória” (um cântico que tem de ser atualizado todos os dias, naturalmente). Não é assim tão certo: a sondagem do ISCTE para o Expresso e a SIC, que foi conhecida a minutos do início da arruada, dá oito pontos de distância entre PS e PSD, depois de os últimos estudos de opinião terem atribuído resultados mais favoráveis aos sociais-democratas.

Por coincidência, no preciso momento em que os alertas da sondagem disparam nos ecrãs dos telemóveis, Rangel está entretido num café a jogar a sua sorte no Euromilhões. Mais tarde, "francamente otimista" e questionado sobre a previsão desfavorável do PSD, dá a resposta da praxe: as sondagens têm importância "muito relativa". Mas isso é como o "otimismo", remata: também é relativo.

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