rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 17 mai 01:00

Inaceitável amadorismo

Inaceitável amadorismo

Os atrasos na ativação de meios aéreos de combate a fogos florestais revela irresponsabilidade e amadorismo por parte dos governantes. Não é aceitável.

Há uma semana, o nosso país sentiu uma alta brutal da temperatura atmosférica. Houve avisos e as autoridades tomaram precauções excecionais. Mas não todas: hoje ainda faltam 18 das 38 aeronaves que deviam ter sido ativadas a partir do quarta-feira passada. Felizmente nada de grave aconteceu nesses dias de calor excessivo.

Mas nada garante que não possa surgir um novo e grave “pico” de calor antes de junho, altura em que – diz o ministro da Defesa – já deverão estar ativados todos os meios aéreos de combate a incêndios florestais. As alterações climáticas não são uma fantasia.

Foram, aliás, deprimentes as explicações oficiais dadas para os atrasos na disponibilidade desses meios aéreos, essenciais para combater fogos florestais. Concursos que se atrasaram, recursos que algumas empresas interpuseram, informações adicionais pedidas pelo Tribunal de Contas, etc. Mas não são normais e previsíveis estes obstáculos, que parecem ter surpreendido o Governo?

O Tribunal de Contas, em esclarecimento enviado aos meios de comunicação no fim da tarde de quarta-feira, informava ter, nessa mesma tarde, recebido nove contratos para serem submetidos a fiscalização prévia. Trata-se dos contratos para alugar 35 meios aéreos de combate a incêndios e para ativar três helicópteros do Estado. Ou seja, antes do dia – o passado dia 15 de maio – em que se iniciava a fase mais intensa de prevenção e combate a incêndios apenas tinha entrado no Tribunal de Contas um contrato, segundo este mesmo tribunal informa…

Talvez porque só no corrente ano os aviões e helicópteros de combate a fogos são geridos pela Força Aérea, este processo parece estar a decorrer com um excesso de amadorismo absolutamente inaceitável.

Nada aprenderam com as duas tragédias de 2016, em junho e outubro. Na primeira, A. Costa não viu motivos para interromper férias que gozava em Espanha. Na segunda, ainda mais mortífera, o primeiro-ministro não assumiu as suas responsabilidades como chefe do Governo, só afastando a então ministra da Administração Interna por pressão pública do Presidente da República e demarcando-se o mais que podia da tragédia.

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