observador.ptobservador.pt - 17 mai 23:31

Padrão português com 500 anos foi roubado da Namíbia no século XIX. Vai ser devolvido

Padrão português com 500 anos foi roubado da Namíbia no século XIX. Vai ser devolvido

Diogo Cão ergueu o monumento na costa do território que hoje é a Namíbia em 1486. Reclamou para Portugal o terreno, mas tropas alemãs roubaram o padrão em 1893. Vai agora voltar à ex-colónia alemã.

O Museu Histórico da Alemanha vai devolver um padrão português da época dos Descobrimentos à Namíbia, local onde foi erguido por Diogo Cão em 1486, anunciou esta sexta-feira Monika Gruetters, ministra da Cultura alemã.

O padrão de 3,5 metros de altura foi erguido há mais de 500 anos pelo explorador Diogo Cão na costa central do território que hoje corresponde à Namíbia. Composto pelo brasão português e a cruz, o marco representava a reclamação da posse do território para Portugal. Na altura, desenhos de vários mapas apresentavam padrões portugueses, numa época em que Portugal controlava grandes porções de território um pouco por todo o mundo.

Mais tarde, durante o colonialismo do século XIX, a Alemanha ocupou a Namíbia e tornou o território num império colonial. Em 1893, um comandante da marinha mandou então retirar o padrão português do Cabo da Cruz. Transportado de volta para a Europa, o marco foi depois colocado no Museu Histórico Alemão, onde permaneceu até agora.

O padrão tem 3,5 metros de altura e pesa 350 quilos

Em 2017, o Governo da Namíbia pediu para que a Alemanha devolvesse o padrão de 350 quilos. Esta sexta-feira, o museu, que fica em Berlim, acedeu formalmente ao pedido.

A injustiça do período colonial tem sido suprimida e esquecida há demasiado tempo”, disse a ministra da Cultura alemã na cerimónia onde foi formalizada a devolução. “Esta restituição é uma contribuição para a reconciliação e o sentido de entendimento comum com o povo da Namíbia”, completou Gruetters.

Para o Governo do país africano, a devolução do artefacto é uma forma de confrontar e aceitar o passado. “O regresso da Cruz é um passo importante para nos reconciliarmos com o nosso passado colonial e o rasto de humilhação e injustiças sistemáticas que este deixou”, disse Andreas Guibeb, embaixador da Namíbia na Alemanha.

Em agosto, Monika Gruetters viajará acompanhada do presidente do Museu, Raphael Gross, para procederem à entrega formal do monumento à Namíbia.

#Restitution der #CapeCross Säule nach Namibia – das hat das Kuratorium des @DHMBerlin beschlossen. "Ein deutliches Signal, dass wir uns zur Aufarbeitung der kolonialen Vergangenheit bekennen", sagte Staatsministerin Monika #Grütters. #Kolonialismus https://t.co/qNNyBdwEIi pic.twitter.com/1znZTvYej0

— BKM Kultur & Medien (@BundesKultur) May 17, 2019

Durante os séculos XIX e XX, grandes nações europeias conquistaram territórios além-mar, numa política de extensão do território conhecida como colonialismo. Em destaque, França, Reino Unido e Rússia detinham grandes territórios africanos e asiáticos. Na época, também Portugal detinha territórios e cidades em Angola, Cabo Verde, Moçambique, Índia e Brasil.

Nos últimos anos, vários países africanos têm exigido a museus da Europa a devolução de artefactos roubados durante a época das colónias. No ano passado, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou a devolução de 26 estátuas roubadas em 1892 ao estado africano de Benin. Também o National Army Museum de Londres anunciou em março a devolução de um pedaço de cabelo do imperador Tewodros II, retirado durante a invasão dos britânicos à Etiópia em 1868. Já o British Museum dispôs-se a devolver à Nigéria tesouros em bronze roubados por tropas britânicas.

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