visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 14 mai 13:00

Campanha privada para a construção do muro de Trump levanta suspeitas e deixa os apoiantes impacientes

Campanha privada para a construção do muro de Trump levanta suspeitas e deixa os apoiantes impacientes

A campanha “We Build the Wall” (“Nós Construimos o Muro”) lançada em dezembro do ano passado para angariar fundos para a construção do muro proposto por Donald Trump, está a ser alvo de críticas de pessoas que contribuíram, mas ainda não viram resultados

Brian Kolfage, que perdeu as duas pernas e um dos braços durante a guerra no Iraque, é o fundador da campanha “We Build the Wall”, que conta já com mais de 200 mil contribuintes e cerca de 22 milhões de dólares angariados para a construção do muro na fronteira americana com o México.

“Eu levo muito a sério a segurança do povo americano e é assim que me encontro a construir o mudo na fronteira a sul. Se estás cansado de ver políticos de ambos os partidos a colocar entraves ao plano do Presidente Trump para construir um muro na fronteira no sul do país, então vieste ao lugar certo. Nós, o Povo, estamos a unir-nos para começar a construção do muro proposto pelo Presidente Trump, numa propriedade privada e, a melhor parte, é que o iremos fazer por uma fração daquilo que iria custar ao governo”, pode ler-se na nota publicada por Kolfage na plataforma de angariação de fundos.

Na mensagem, revela ainda que Donald Trump "deu a sua bênção" ao projeto e que da sua equipa fazem parte nomes como Steve Bannon, assessor político e estratega de Trump na Casa Branca, e Kris Kobach, ex-Secretário de Estado do Kansas pelo Partido Republicano. Um grupo que considera “impressionante” e com quem diz ter “o orgulho de estar a trabalhar”.

Contudo, o líder da campanha tem evitado manter o grupo do Facebook ou site dedicados à angariação de fundos atualizados relativamente ao processo de construção do muro e diz que o faz por “uma boa razão” - o facto da ONG, União Americana pelas Liberdades Civis, poder entrar com uma ação judicial para impedir a obra “se souberem onde e quando” irá acontecer. Acrescenta ainda que quando garantiu que iam “construir o muro, estava a falar a sério” e conclui dizendo: “Continuem, estamos quase a acabar!”

Apesar desta mensagem ter sido suficiente para muitos, outros, no entanto, estão céticos relativamente à veracidade destas afirmações.

“Eu estou muito desapontada consigo, Brian Kolfage, onde estão as fotografias do progresso?”, escreveu uma das apoiantes na página do Facebook. “Para de falar sobre isso e começa a fazê-lo”, comentou outro. No Twitter podem também ler-se comentários de seguidores impacientes: “quando é a inauguração?”, “Onde está o muro, Brian?”

De acordo com a NBC, o Facebook apagou várias páginas a partir das quais Brian Kolfage operava, razão pela qual ele terá criado recentemente mais uma campanha, a Fight4FreeSpeech, que também está a aceitar donativos.

O BuzzFeed investigou ainda os seus anteriores projetos de angariação de fundos. Um deles revertia alegadamente para o Centro Médico Militar Walter Reed, em Bethesda, e para o Centro Médico do Exército Brooke, em San Antonio. Um porta-voz das instituições médicas disse ao site americano, no entanto, que “não têm registo de ele ter trabalhado nos hospitais ou de ter doado dinheiro”. Kolfage desmentiu, mais tarde, esta investigação e tem criticado, nas redes sociais e nas plataformas de apoio à construção do muro, a alegada campanha de “fake news” dos "órgãos de comunicação de esquerda".

ASSINE AQUI E GANHE UM SACO. Ao assinar está a apoiar o jornalismo independente e de qualidade – essencial para a defesa dos valores democráticos em Portugal
3
1