ionline.sapo.ptionline.sapo.pt - 14 mai 10:09

Que sera, sera. Doris Day, a menina-bonita da década de 50, morreu aos 97 anos

Que sera, sera. Doris Day, a menina-bonita da década de 50, morreu aos 97 anos

Loira, de olhos claros, com uma voz melodiosa e uma beleza indiscutível. Doris Day era a típica menina bonita de Hollywood. Interpretou algumas das músicas mais conhecidas do início do séc. xx e filmes que marcaram a evolução do cinema norte-americano. O amor pelos animais marcou os últimos anos da sua vida. Morreu na segunda-feira, aos 97 anos, rodeada pelos amigos mais próximos.

“Que sera, sera/Whatever will be will be/ The future’s not ours to see/ Que sera, sera/ What will be will be”

Muitos seguiram o conselho dado por Doris Day no filme de 1956 O Homem Que Sabia Demais. Esta tornou-se uma das músicas mais conhecidas da atriz e cantora, que morreu ontem, aos 97 anos.

“Doris Day morreu esta manhã na sua casa, em Carmel Valley. Ainda chegou a celebrar o seu 97.o aniversário, no passado dia 3 de abril. Nesse dia, cerca de 300 fãs reuniram-se em Carmel para celebrar os anos de Day. A atriz estava em excelente forma física para a idade que tinha até ter contraído recentemente uma pneumonia grave, acabando por morrer. Estava rodeada por vários amigos quando faleceu”, lê-se no comunicado publicado no site da Doris Day Animal Foundation, uma organização sem fins lucrativos que a lenda de Hollywood ajudou a criar em 1978.

Doris Day nasceu a 3 de abril de 1922 em Cincinnati e começou a sua carreira como cantora em 1939, a atuar com big bands. A sua popularidade foi crescendo nos Estados Unidos e, em 1947, decide lançar-se numa carreira a solo. Durante os 20 anos seguintes, gravou mais de 650 canções com a produtora Columbia Records, tornando-se uma das cantoras mais populares do séc. xx.

A sua estreia no cinema foi no ano de 1948, com o filme Romance em Alto Mar. Seguiu-se uma série de longas-metragens bem-sucedidas, mas as duas obras que lançaram Doris Day para o estrelato foram o filme de 1953 Calamity Jane que, segundo disse numa entrevista, foi a longa-metragem que mais gostou de fazer, e, três anos depois, O Homem Que Sabia Demais, realizado por Alfred Hitchcock e com James Stewart no papel principal. Entre os quase 50 filmes em que participou destacam-se também Conversa de Travesseiro e Não Me Mandem Flores, nos quais contracenou com a estrela de Hollywood Rock Hudson.

Na rádio e na televisão

Antes de se lançar no mundo da representação, Doris Day tentou a sua sorte na rádio. O Doris Day Show foi emitido pela CBS entre março de 1952 e maio de 1953. No programa, Day exibia os seus dotes vocais, acompanhada pela banda de Les Brown. Em todas as emissões, a cantora apresentava um convidado especial.

Com tudo isto, só lhe faltava mesmo ser uma estrela no pequeno ecrã. E foi: entre 1968 e 1973, o Doris Day Show foi um dos programas preferidos dos norte-americanos. Ao longo dos 128 episódios emitidos no canal CBS, o elenco foi variando, mas tudo girava à volta da personagem interpretada por Day e a sua família. 

Em 1960, Doris Day foi nomeada para o Óscar de Melhor Atriz pelo filme Conversa de Travesseiro, mas o prémio acabou por ir para Simone Signoret, com o filme Um Lugar na Alta Roda. Em 1989 foi homenageada com o prémio Cecil B. DeMille pelo seu papel no mundo do entretenimento. Recebeu também em 2004, pelas mãos do então Presidente dos EUA George W. Bush, a Medalha Presidencial da Liberdade e, em 2008, um Grammy Lifetime Achievement Award e um Legend Award da Society of Singers. O último prémio que recebeu foi um Achievement Award da Los Angeles Film Critics Association, em 2011. 

Um amor pelo filho e pelos animais

A sua vida pessoal também foi bastante preenchida. Um dos aspetos mais conhecidos foi o facto de ter namorado com Ronald Reagan antes de este ser Presidente dos EUA - os atores contracenaram em dois filmes. Day foi casada quatro vezes e teve apenas um filho, Terry Melcher, conhecido por ser o produtor de bandas como os Byrds e os Beach Boys. Uma curiosidade: no verão de 1968, Dennis Wilson, dos Beach Boys, apresentou--lhe um rapaz chamado Charles Manson, que tinha o desejo de entrar no mundo da música. O filho de Doris Day recusou trabalhar com Manson depois de ver a forma agressiva como discutia com as pessoas. Pouco depois, Melcher subalugou a mansão em Bel Air onde vivia com a namorada ao realizador Roman Polanski e à sua mulher, Sharon Tate, conta o jornal britânico Telegraph. Em agosto de 1969, aquela casa foi palco de um dos crimes mais conhecidos do séc. xx: Manson e os seus seguidores mataram Sharon Tate e alguns amigos que estavam em sua casa, usando o sangue das vítimas para pintar na porta da moradia a palavra “porcos”.

Depois da morte de Terry Melcher, em 2004, e com a falta de projetos no mundo do cinema e da música, Doris Day raramente era vista em público, passando o tempo fechada em casa ou a passear na redondezas, dedicando-se exclusivamente à proteção dos animais através da sua fundação. “Conhecida carinhosamente como ‘a apanhadora de cães de Beverly Hills’, Doris encontrou vários cachorros abandonados à porta de sua casa. Tentava arranjar novas casas para os animais e costumava fazer visitas aos novos donos para ter a certeza de que os cães estavam a ser bem tratados”, refere o comunicado emitido ontem. Numa das suas fotografias mais conhecidas, a atriz surge com uma T-shirt onde se pode ler “sê amável para com os animais ou mato-te”.

Homenagens

Ontem, dezenas de celebridades usaram as redes sociais para se despedirem da lenda de Hollywood. A atriz Goldie Hawn, a estilista Stella McCartney, o cantor Tony Bennett e o comediante Piers Morgan foram algumas das figuras públicas que deixaram uma mensagem nas suas contas oficiais no Twitter e no Facebook, mas uma das homenagens que mais deu nas vistas foi a da atriz Sarah Jessica Parker: “Oh Sra. Day, uma rapariga de Cincinnati como eu. Quantas cartas dirigidas a si escrevi e não enviei. Não as sei de cor, mas todas diziam o mesmo: adoro-a. Milhões a adoravam e adoram. Vá com Deus e descanse em paz”. 

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