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Depois das críticas, a chegada de Pedro Marques à rua

Depois das críticas, a chegada de Pedro Marques à rua

Cabeça de lista do PS admite impostos sobre as gigantes tecnológicas e financeiras. Campanha do PS anda nesta terça-feira pelo Alentejo e acaba no Algarve.

Foi uma pequena visita - fora do programa, mas com os jornalistas avisados - “para beber café” e apelar ao voto no dia 26 de Maio. Em quem? Não importa, o importante é votar. Foi mais ou menos assim que Pedro Marques abordou cada pessoa que, abrigada do calor que se fazia sentir esta terça-feira de manhã em Évora, descansava nos bancos na Praça do Giraldo.

O candidato andou pela primeira vez em ambiente não controlado neste período de campanha oficial - o terreno também não era de alto risco, havia poucas pessoas, e mais velhas, e socialistas de Évora que quiseram ir cumprimentar o candidato que, na agenda oficial, tinha na cidade apenas a visita à Embraer.

Depois de ter ouvido críticas neste início de campanha pelo facto de ter uma campanha concentrada em visitas a instituições e empresas, com poucos contactos com a população na rua, Pedro Marques foi tomar café na Praça do Giraldo e ver uma exposição sobre os 50 anos do Diário do Sul, em pleno centro de Évora. Resposta aos críticos? “Eu acho esse tema extraordinário, próprio de campanhas dos outros partidos não têm nada para dizer. Estamos a fazer a campanha que fizemos ao longo de três meses. Estamos a fazer uma campanha positiva, de esclarecimento das pessoas, a falar com trabalhadores e com esta mobilização que vêem atrás de mim e do nosso partido”, disse em respostas aos jornalistas.

Outro dos “ruídos” de campanha, disse Marques, tem a ver com a circunstância de, do lado de PSD e CDS, se ouvirem críticas ao facto de o socialista poder ser apontado para vir a ser comissário europeu. “Vem também da vontade de fazer ruído na campanha e eu essas coisas não valorizo. Quero é ter uma grande vitória para o meu partido, que acho que é merecida pelo que fizemos em Portugal e pelo que queremos fazer na Europa”, disse.

Na conversa com quem estava naquela praça icónica de Évora, Pedro Marques preferia puxar pela necessidade de combater a abstenção – “É muito importante votar no dia 26, decide-se muita coisa importante na Europa” – e pela apresentação do candidato da terra – “Levo aqui um grande alentejano”, apontava para Carlos Zorrinho. Uma socialista que seguia atrás dele, distribuía panfletos com a cara do cabeça de lista e de António Costa.

Ao lado de Pedro Marques esteve sempre Carlos Zorrinho, líder da delegação socialista no Parlamento Europeu e que desta vez surge na 7.ª posição na lista do PS às europeias. Pedro Marques recusou a ideia de que Zorrinho tivesse sido despromovido: “É um dos nossos extraordinários deputados. Estamos a trabalhar com os nossos melhores”, respondeu.

PS aberto a debater impostos sobre as gigantes electrónicas e sobre a banca

Nos últimos anos o Alentejo foi saindo dos rankings das regiões mais pobres da Europa, mas isso não quer dizer que não o continue a ser. “Já não estamos ali graças ao trabalho de muitos governos”, conta o director do jornal Diário do Sul, Paulo Piçarra. A evolução da região aparece retratada em 50 capas do histórico jornal. Em 74 a “edição do 25 de Abril só saiu dias depois, as fotografias chegaram com alguns dias de atraso”.

Hoje os problemas da região e do jornal são outros. “Há uma lei castradora contra a liberdade de imprensa”, queixa-se Piçarra. Pedro Marques acena, mas não sai para fora de pé. Recorda que há um debate na Assembleia da República sobre as mudanças à lei eleitoral que há-de “resolver esse problema e salvar a democracia”.

Outro dos problemas do sector da informação, que Pedro Marques promete que será resolvido, prende-se com a necessidade de taxar os gigantes tecnológicos como o Facebook e a Google. Uma proposta do BE nesse sentido foi chumbada no Parlamento por PS e por PSD, mas o candidato a eurodeputado socialista defende que a questão deve ser tratada a nível europeu.

Pedro Marques defende que os impostos sobre estas empresas, mas também sobre o sector financeiro, devem ser ponderados para financiar o orçamento europeu, que terá de ser compensado por causa da saída do Reino Unido da União Europeia. “Obviamente que a questão das gigantes tecnológicas e a questão do sector financeiro são duas áreas em que achamos que há espaço, há condições para haver uma tributação coordenada a nível europeu para termos essa receita para o orçamento europeu”, respondeu. Essa proposta, defendeu, permitia várias conquistas, nomeadamente “defender um bocadinho mais a produção de informação em cada país”. “Nesta matéria é [importante] haver liberdade de imprensa, condições para o funcionamento da imprensa livre e concorrência livre e receitas próprias para a UE”.

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