ionline.sapo.ptionline.sapo.pt - 14 mai 12:45

“É que não faltava mais nada. Qualquer dia pedem-nos o código genético para entrar num bar”

“É que não faltava mais nada. Qualquer dia pedem-nos o código genético para entrar num bar”

Joana Amaral Dias expressou a revolta que sente, no Facebook, perante a recolha de dados biométricos no ginásio que frequenta.

“Há uma enorme polémica em toda a Europa e nos EUA com a recolha de dados biométricos (...) E, de repente, estou envolvida nela até aos cabelos. Eu e o ginásio GoFit” – foi desta forma que a psicóloga iniciou a sua reflexão acerca do desagrado que sente perante a recolha de dados deste cariz no ginásio GoFit do Campo Grande.

Quando recorremos à nossa impressão digital para desbloquear um telemóvel, estamos a utilizar tecnologia biométrica. Quando falamos para que a nossa voz seja reconhecida por um software, por exemplo, estamos a utilizar a tecnologia biométrica. A verdade é que a biometria é um processo que se baseia na medição e análise das características fisiológicas e comportamentais das pessoas.

A biometria é usada maioritariamente para facilitar o acesso a edifícios ou serviços e para realizar transações no mundo virtual, no entanto, os dados (como a impressão digital ou o reconhecimento facial) são armazenados e, doravante, comparados com referências existentes no sistema. De acordo com Joana Amaral Dias, este processo “está a tornar as pessoas mais inseguras porque invade a sua privacidade e porque se verificam, sistematicamente, abusos na forma de recolha, processamento e armazenamento desses dados”.

A comentadora da CMTV e ex-deputada do Bloco de Esquerda adiantou que o ginásio “decidiu implementar o uso de impressão digital para entrar no recinto”, sendo que os sócios que aderiram à biometria são tratados de forma diferente daqueles que continuam a optar pelo cartão magnético: “Ou seja, quem aderiu à impressão digital passa-a na cancela e entra. Quem não aderiu, em vez de passar o cartão e entrar também (como até então) tem que esperar para ser atendido”.

Joana Amaral Dias deixou clara a intenção de “apelar ao escrutínio da Comissão Nacional de Proteção de Dados” (CNPD) para tentar solucionar esta situação. Sublinhe-se que a CNPD tem como atribuição genérica controlar e fiscalizar o processamento de dados pessoais “em rigoroso respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades e garantias consagradas na Constituição e na lei”, tal como se pode ler no site oficial da comissão.

Recorde-se que a polémica relação entre a antiga deputada e as cadeias GoFit não é recente. Em 2016, Joana Amaral Dias partilhou no Facebook uma publicação onde explicou que, após um pagamento de 400 euros de anuidade, não teve direito a usufruir de quaisquer aulas ou treinos no ginásio do Campo Grande.

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