expresso.ptexpresso.pt - 14 mai 08:25

Sudão. Ex-Presidente Omar al-Bashir acusado de envolvimento na morte de manifestantes

Sudão. Ex-Presidente Omar al-Bashir acusado de envolvimento na morte de manifestantes

“Omar al-Bashir e outros foram acusados de incitar e participar no assassínio de manifestantes”, revelou o gabinete do procurador-geral sudanês. Enquanto isso, os manifestantes continuam a pressionar o conselho militar que substituiu al-Bashir a ceder o poder. Esta terça-feira, há novas negociações entre manifestantes e generais

O ex-Presidente do Sudão, Omar al-Bashir, foi acusado de estar envolvido na morte e incitamento à morte de manifestantes durante os protestos que o afastaram da liderança do país.

Segundo divulgou o gabinete do procurador-geral sudanês, esta segunda-feira, “Omar al-Bashir e outros foram acusados de incitar e participar no assassínio de manifestantes”. No início do mês, o procurador-geral ordenou que o antigo chefe de Estado fosse interrogado por lavagem de dinheiro e financiamento de “terrorismo”.

Ainda não houve qualquer declaração pública de al-Bashir desde que este foi afastado do cargo e preso, a 11 de abril. O ex-Presidente encontra-se detido na prisão de segurança máxima Kobar, na capital do país, Cartum, de acordo com o conselho militar de transição.

Babiker Abdul Hameed morreu “enquanto tentava dar assistência médica a manifestantes”

O gabinete do procurador-geral destaca, em particular, o caso de Babiker Abdul Hameed, um médico de 27 anos, que foi morto a 19 de janeiro “enquanto tentava dar assistência médica a manifestantes”, refere a Al Jazeera. O canal de televisão cita ainda um comité de médicos que estima que pelo menos 100 pessoas foram assassinadas pelas forças de segurança desde o início dos protestos, em dezembro do ano passado.

Grandes multidões continuam acampadas no exterior do quartel-general do Exército em Cartum, pressionando o conselho militar que substituiu al-Bashir a ceder o poder.

O tenente-geral Shams al-Din Kabashi, porta-voz daquele conselho, revelou que os generais se reuniram, esta segunda-feira, com os líderes dos protestos e chegaram a acordo sobre a estrutura dos órgãos de transição. Taha Osman, porta-voz do movimento de protesto, confirmou a informação à agência de notícias France-Presse, acrescentando que esta terça-feira iriam “continuar a discutir o período de transição e a composição das autoridades”.

O conselho militar e os manifestantes discordam relativamente à composição do órgão interino. Enquanto os generais propõem que o novo conselho seja liderado por militares, os líderes dos protestos insistem numa estrutura maioritariamente composta por civis.

O ultimato da União Africana

A 1 de maio, a União Africana deu mais 60 dias ao conselho militar de transição para entregar o poder a uma autoridade civil, sob pena de o Sudão ser suspenso do bloco regional. A nova ameaça surgiu na sequência do incumprimento do prazo anterior de 15 dias, definido a 15 de abril.

O conselho militar assumiu o poder depois de al-Bashir ter sido deposto, ao fim de quase 30 anos no cargo e após quatro meses de protestos. Os militares prometeram realizar eleições no prazo de dois anos mas os manifestantes rejeitaram a proposta, permanecendo nas ruas da capital e exigindo um Governo civil de imediato.

Os protestos começaram a 19 de dezembro, inicialmente por causa do preço do pão, que tinha triplicado, mas rapidamente passaram a exigir a demissão de al-Bashir. A partir de 6 de abril, os manifestantes concentraram-se dia e noite à frente do quartel-general do Exército, e o Presidente seria deposto e detido cinco dias depois.

Os mandados de prisão do TPI

O líder do principal partido da oposição, Sadiq al-Mahdi, que foi primeiro-ministro no final dos anos 1980, apelou, no início de maio, a que o Sudão se juntasse “imediatamente” ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

O TPI já tinha emitido mandados de prisão contra o Presidente deposto para que este respondesse a acusações de genocídio e crimes de guerra e contra a humanidade durante o conflito no Darfur, na parte ocidental do Sudão. Al-Bashir rejeitou sempre estas acusações.

O conselho militar de transição recusa extraditar o Presidente deposto, deixando uma possível decisão nesse sentido para um futuro Governo civil.

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