expresso.ptexpresso.pt - 14 mai 14:06

Procurador-geral anuncia investigação à investigação sobre alegado conluio entre Trump e a Rússia

Procurador-geral anuncia investigação à investigação sobre alegado conluio entre Trump e a Rússia

Esta nova investigação já tinha sido pedida por Trump, que acusou várias vezes os seus oponentes de empreender uma “caça às bruxas”. William Barr acedeu e se já era acusado de tentar proteger o Presidente norte-americano, é bem provável que o venha a ser ainda mais

Se os democratas e outros críticos do procurador-geral norte-americano William Barr já o acusavam de querer proteger Donald Trump, é possível que o consigam fazer agora ainda com mais propriedade. Isto porque Barr depositou num procurador federal a tarefa de perceber se a investigação ao alegado conluio entre a Rússia e o Presidente norte-americano nas eleições presidenciais de 2016 foi feita ou não dentro da lei.

O próprio Trump já tinha pedido que se fizesse esta investigação (e já se perdeu a conta ao número de vezes em que classificou a pesquisa do procurador especial Robert Mueller como uma “caça às bruxas” organizada pelos seus oponentes) e John Durham, procurador do Connecticut, ficará assim responsável por ela. No mês passado, William Barr afirmou perante o Congresso que acreditava que tinha havido espionagem na campanha do Presidente norte-americano para as eleições e que o preocupava o facto de não haver qualquer justificação para isso. “A questão é se houve um fundamento para isso. Não estou a sugerir que não houve, mas preciso de explorar melhor isso”, afirmou.

Pouco foi revelado sobre a nova investigação além do nome do procurador federal que irá liderá-la — sabe-se apenas que está a ser formada uma equipa que vai ajudá-lo a perceber se a recolha de informação sobre as eleições foi feita de forma legal. Tanto Trump como vários dos seus apoiantes acusaram o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA de fiscalizar a sua campanha ilegalmente.

Segundo informações avançadas pelo “New York Times”, John Durham, que acumula no currículo várias investigações sobre corrupção na função pública, irá também investigar se o antigo conselheiro geral do FBI James Baker divulgou informação confidencial com os órgãos de comunicação social, segundo o “New York Times”, não se sabendo, contudo, se há uma ligação direta entre as duas linhas de investigação, esta última e a que incidirá sobre o relatório de Robert Mueller.

Este relatório continua por divulgar na íntegra, por decisão de William Barr, e recentemente Donald Trump recorreu a um privilégio executivo para impedir o Congresso de aceder à versão completa do documento. Entretanto, a Comissão Judicial da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA aprovou uma resolução que acusa de desrespeito o procurador-geral, precisamente por este se recusar a entregar uma versão do relatório não censurada.

“Não é algo que façamos de ânimo leve, mas a isso fomos forçados depois de três meses de negociações com o Departamento de Justiça”, afirmou o presidente da comissão, o democrata Jerrold Nadler, na passada quarta-feira, 8 de maio, dia em que a resolução foi aprovada. Esta será agora avaliada pela Câmara dos Representantes, que decidirá se pede ou não um processo contra Barr a nível federal.

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