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Fino “investiu todo o património e nada resta” para pagar à CGD

Fino “investiu todo o património e nada resta” para pagar à CGD

O filho de Manuel Fino garante que o grupo fundado pelo pai não tem ativos para pagar dívida de 280 milhões à CGD.

São 280 milhões em dívida. Mas a Investifino não vai pagar, revelou José Manuel Fino esta terça-feira na II Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da CGD. O filho do fundador do grupo afirmou que “Manuel Fino investiu tudo o que era o seu património nesta última aventura empresarial. Nada resta”.

José Manuel Fino garante que não existem ativos noutras estruturas nem transferências de património. E explica a passagem da holding para Malta como uma opção legal e que serviu para se conseguir “tranquilidade nas restruturações financeiras enquanto essas situações eram negociadas”. Afirma que a Investifino atualmente já “não existe” e que os ativos em Malta “são zero”.

A Investifino começou a ter dificuldades em pagar os empréstimos à CGD em 2008. O banco público tinha emprestado ao grupo para comprar ações do BCP, Cimpor e Soares da Costa. A única garantia eram os próprios títulos e não foram pedidos avales pessoais a Manuel Fino.

Tal como Berardo, José Manuel Fino diz que se o aval fosse pedido provavelmente Manuel Fino não teria aceitado essa exigência. Afirma que na altura era prática na banca não fazer essa exigência. A estratégia da Investifino era ir pagando os empréstimos com os dividendos distribuídos pelo BCP e Cimpor.

Leia também: Fino sem meios para pagar à CGD e culpa atuação do banco na Cimpor

Em 2009, já após o corte de dividendos nas cotadas em causa, existe uma reestruturação dessa dívida, em que o banco público fica com um lote de ações da cimenteira por 4,75 euros. Mas concedeu à Investifino uma opção de recomprar os títulos por um prazo de três anos. Em 2012, a Caixa recusa estender o prazo da opção de recompra e vende os títulos por 5,50 euros.

José Manuel Fino considera que esta decisão “inusitada” provocou o incumprimento da Investifino. Defendeu que teria sido possível à empresa de Manuel Fino recomprar essa posição para depois a vender a investidores que pagariam mais que os 5,50 euros, exemplificando com a venda feita pela Teixeira Duarte em 2010 por 6,50 euros.

No entanto, o grupo Investifino não tinha recursos para a recompra e iria necessitar de apoio financeiro temporário para esse negócio. José Manuel Fino considera que seria fácil de contratar um empréstimo temporário se fosse encontrado um investidor interessado nessa posição.

“A venda da Cimpor podia gerar o valor da transação feita como referência, geraria 880 milhões de produto incluindo a recompra, daria para liquidar todas as responsabilidades financeiras”, defende. Atribui a responsabilidade das perdas de 280 milhões à decisão da CGD de não estender a opção de recompra à Investifino.

Notícia atualizada às 12:41 com mais informação sobre pedido de aval pessoal

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