expresso.ptexpresso.pt - 14 mai 10:15

Ataque de piratas informáticos ao Whatsapp teve “alvos específicos”. E os culpados já tinham conseguido quebrar a segurança da Apple

Ataque de piratas informáticos ao Whatsapp teve “alvos específicos”. E os culpados já tinham conseguido quebrar a segurança da Apple

WhatsApp já pediu aos seus mais de mil milhões de utilizadores para atualizarem a aplicação

O serviço de troca de mensagens instantâneas online Whatsapp foi alvo de um ataque por parte de um “pirata informático com muita experiência” com o objetivo de instalar nos telemóveis de alguns utilizadores software que permitisse depois monitorizar a atividade dessa pessoa através da extração dos seus registos telefónicos, de mensagens e de navegação online.

Os engenheiros dos Whatsapp dizem que o ataque foi executado por profissionais e que os alvos foram “selecionados” e “restritos”. Segundo o “Financial Times”, os autores do ataque fazem parte da empresa de segurança israelita NSO Group, uma “brigada” de elite de programadores criada ao abrigo do programa de financiamento de startups do Exército israelita, a 8200 Intelligence Unit. A mesma empresa, noticiou o jornal israelita "Haaretz" em novembro do ano passado, reuniu-se com representantes do governo saudita em Viena, pouco tempo antes da purga contra críticos do regime começar. Uma das pessoas alvo de espionagem via Whatsapp foi Kamal Khashoggi, jornalista saudita com residência nos Estados Unidos morto no consulado da Arábia Saudita em Istambul.

O NSO Group descreve-se como “um grupo que cria ferramentas online para combater o crime e o terrorismo” mas a maioria das empresas de cibersegurança tem outro nome: traficantes de armas através da internet. Este é o mesmo grupo que, por breves momentos em 2016, fez estragos no software da Apple, celebrado por ser extremamente difícil de corromper .

Na tentativa de conseguirem entrar nos telefones dos seus alvos, os ‘hackers’ começavam por ligar às pessoas, utilizando para isso a função ‘chamada’ da própria aplicação. Mesmo que a chamada não fosse atendida pelo alvo, o software para espiar o telefone seria instalado. A chamada desaparecia logo do registo de chamadas, escrevem os jornalistas do FT que falaram com algumas pessoas atingidas.

"O ataque tem todas as ‘pegadas’ de uma empresa privada que alegadamente trabalha com os governos para distribuir software de espionagem que se infiltra nos telemóveis e assume as funções dos sistemas operacionais do telemóvel", disse a empresa na segunda-feira, numa nota enviada aos jornalistas.

O WhatsApp pediu entretanto aos seus mais de mil milhões de utilizadores para atualizarem a aplicação.

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