expresso.ptexpresso.pt - 14 mai 00:16

Rangel lembra Sócrates e diz que “Berardo não caiu do céu”

Rangel lembra Sócrates e diz que “Berardo não caiu do céu”

Pouca Europa e muitos (mesmo muitos) ataques ao PS. O fim do primeiro dia de campanha de Rangel foi rematado com um soundbite apontado a Pedro Marques

Há poucos argumentos mais usados para irritar o PS do que uma referência a José Sócrates, e Paulo Rangel sabe-o. Foi assim que neste 13 de maio, a encerrar o primeiro dia de campanha, em Santa Maria da Feira, o candidato do PSD juntou a Sócrates o nome de Joe Berardo - e associou os tempos do antigo primeiro-ministro ao comendador, um dos maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos.

Dias depois de Berardo ter estado sob ataque por todos os lados graças às suas respostas na Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos - com António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa a repudiarem a sua prestação -, Rangel veio aproveitar o gancho de atualidade para se lançar ao ataque. “Joe Berardo não é uma invenção de si próprio”, mas produto de um “contexto”. “Agora dizem que foi um produto tóxico, mas quando foi instrumental para tomar conta do BCP, o produto não era tóxico. Nessa altura, estavam ministros que ainda hoje estão no Governo de António Costa”. Era uma referência aos tempos de José Sócrates, que voltaria quando falou da “bancarrota”. “[Joe Berardo] é uma invenção de uma conjuntura político-económica em que havia um Governo que queria controlar a banca e o usou a ele”.

O candidato Vital e o virtual

O tom da campanha de Rangel tem sido definido muito por oposição à de Pedro Marques, e desta vez não foi diferente. Se ambos os candidatos se têm entretido a criticar a falta de à-vontade do outro no terreno - Rangel lembra que Marques tem poucas ações de rua, Marques responde a Rangel com a sua falta de “empatia"- o assunto voltou a ser puxado pelo cabeça de lista do PSD. Desta vez, com soundbite renovado, não vá o tema gastar-se: “Tal como em 2009 ganhámos ao candidato Vital [Moreira], em 2019 vamos ganhar ao candidato virtual”.

“Têm medo de fazer campanha na rua, não vão ao contacto com o povo. O PS está a querer fugir ao confronto com as populações, a ver se passa pelos pingos da chuva, ver se põe uma cortina de fumo sobre os temas nacionais e europeus”, atacou Rangel. “Pedro Marques foge à realidade, não quer ir à rua, aos mercados, à feiras. Precisa de António Costa em todas as iniciativas para ver se o substitui”.

Não foram as únicas instâncias em que PS esteve sob ataque. Aliás, na verdade, foi sobretudo disto que o discurso se fez. Por um lado, Rangel puxou do argumento sobre a carga fiscal - que volta a atingir valores máximos - e da falta de investimento público, sobretudo no SNS: “O Governo desprezou completamente o SNS. Nunca funcionou tão mal”. Mas foi por ali fora: nos incêndios de 2017, recordou, houve “cortes na Proteção Civil e nomeações de boys and girls à última da hora”, e até casas que não foram reconstruídas, uma responsabilidade que atribui ao antigo ministro do Planeamento e Infraestruturas (esse mesmo, Pedro Marques).

Houve ataques diretos a Mário Centeno, que com os seus “cortes e cativações” consegue “dar com uma mão e tirar com as duas”. Mas também referências aos atrasos na atribuição de pensões ou até às falhas do Simplex. Em menos de uma hora, Rangel conseguiu passar em revista todos os supostos deméritos do Governo socialista. Mas de Europa pouco falou, a não ser para considerar o novo contrato social - proposto pelo PS - uma “pura utopia de quem não conhece a Europa” para acusar os adversários de apresentarem “soluções utópicas, populistas, sem adesão à realidade”. Por oposição, puxou pelo seu passado na Europa - incluindo nas “horas e horas de trabalho” de bastidores e influência que não se medem pelos rankings.

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