www.publico.ptpublico.pt - 13 mai 20:56

Rangel numa “campanha picadinha” pedalada a duas rodas

Rangel numa “campanha picadinha” pedalada a duas rodas

No dia em que teve a seu lado o ex-líder parlamentar Luís Montengro, o cabeça de lista do PSD fez uma prova à sua resistência física, pedalando numa bicicleta em Salreu, na ria de Aveiro.

Pelo segundo dia consecutivo, Paulo Rangel fez campanha em território favorável, mas em Espinho não arriscou muito. O candidato às eleições europeias iniciou a campanha em Espinho, de maioria social-democrata, na concorrida feira semanal, acompanhado pelo ex-líder da bancada parlamentar, Luís Montenegro, que em Janeiro desafiou o presidente do partido, Rui Rio, a marcar eleições directas para disputar a presidência do PSD.

Na altura, Paulo Rangel esteve com Rio que viu a moção de confiança que apresentou à sua liderança aprovada pelo conselho nacional extraordinário do Porto. Montenegro retirou-se da vida política, para reaparecer agora, poucos meses depois, tentando passar a ideia de que o machado de guerra está enterrado, pelo menos até às legislativas de Outubro.

Acompanhado por três vice-presidentes da comissão permanente do PSD - Álvaro Amaro (candidato às europeias), Castro Almeida e Salvador Malheiro - e com uma JSD bem afinada que animou a feira, Rangel foi bem recebido em Espinho. Montenegro, que é natural do concelho, ia abrindo caminho para o candidato falar com as pessoas que elogiavam o candidato e lhe diziam que o conheciam “muito bem”. “Está tão magrinho!”, atirou uma senhora, enquanto outra lhe dizia: “O meu genro foi seu colega na universidade”.

Apesar da boa receptividade, Rangel fez campanha apenas no corredor dos legumes, das frutas e dos doces. No final da visita à feira, alguém perguntou: “Então não vamos ali ao peixe?”. “Ao peixe não vamos, porque não convém”, respondeu um dos organizadores da campanha.

No final da acção de campanha, Montenegro disse, em declarações aos jornalistas, que as europeias “são uma boa oportunidade para dizer a todos os portugueses que há muitas razões para votar no PSD”. E destacou duas: “A primeira é que o PSD apresenta de longe o candidato mais qualificado e que está em melhor posição de defender os interesses de Portugal na Europa; e a segunda é que, há três anos, o Partido Socialista prometeu que ia mudar a Europa, mas três anos volvidos o que nós nos apercebemos é que foi a Europa que mudou muito o Partido Socialista e para o lado mau”.

Em nenhum momento o ex-deputado quis falar da crise que abriu no partido, mas também não se pronunciou sobre a crise política mais recente desencadeada pelo primeiro-ministro por causa do descongelamento do tempo integral das carreiras dos professores. As críticas foram todas para o Governo. “É com Partido Socialista, com António Costa, com Catarina Martins e com Jerónimo de Sousa que há mais problemas na saúde, mais problemas na educação, mais problemas no atendimento em todos os serviços públicos”, atirou Montenegro, que se mostrou disponível para fazer campanha ao lado de Rio nas legislativas.

Paulo Rangel considerou “natural” que o ex-líder da bancada participe na campanha eleitoral. “Quem conhece os partidos sabe que é assim. É perfeitamente natural. O PSD está sempre unido nestes momentos importantes e, naturalmente, que é com maior gosto que tenho aqui o Luís Montenegro connosco hoje na sua cidade que é Espinho. Para mim, isso é muito significativo”, acrescentou.

Se em Espinho o candidato às europeias não arriscou muito, em Estarreja, arriscou demais, surpreendendo todos ao pôr-se em cima de uma bicicleta para fazer um percurso a pedalar no esteiro de Salreu, na ria de Aveiro. Quando foi desafiado a pedalar, a organização da campanha temeu o pior. No entanto, Rangel não se deixou intimidar e pegou confiante na bicicleta e, depois de alguns ziguezagues iniciais, seguiu caminho, liderando o pelotão, mostrando que está em “grande forma”.

Álvaro Amaro também não resistiu ao desafio e, apesar de ter partido na última posição, fez uma grande recuperação no regresso. O ex-presidente da Câmara da Guarda deve ter levado a peito as palavras do director operacional da campanha, Maló de Abreu, que no arranque do percurso lhe disse: “A pedalares assim, não chegas à Europa”.

De Estarreja, a caravana seguiu em direcção à praia de Cortegaça, onde o presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, sensibilizou o convidado para os problemas de assoreamento daquela praia e também da praia do Furadouro. Em pleno areal, Rangel falou da importância da construção de dois quebra-mar naquelas duas praias e garantiu que há fundos europeus para financiar o projecto e aproveitou para mandar recados a Pedro Marques, que acusou de fazer uma campanha dentro de portas.

“Não vou estar a reagir a todas as erupções de irritação e irritabilidade do candidato do PS. Vamos deixá-lo irritar-se à vontade, é um direito fundamental. Todo o ser humano tem direito à irritação e Pedro Marques também”, declarou, afirmando ser “evidente que o PS resolveu fazer uma campanha que não está na rua, é uma campanha de espaços fechados, mas cada um escolhe o seu modelo de campanha”.

Quanto à sua campanha, Rangel diz estar com “muito dinâmica” (…). E  foi mais longe: “Nós estamos numa campanha picadinha. É evidente que ainda não está no seu ritmo com aquelas ondas dignas de uma sinfonia de Bethoveen, isso será mais lá para a frente”.

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