visao.sapo.ptAdolfo Mesquita Nunes - 13 mai 10:14

A moderação está viva e recomenda-se

A moderação está viva e recomenda-se

O erro absoluto é pensar que esse sentimento de revolta e que esses problemas só podem ser satisfeitos através das propostas e linguagem fleumáticas, platónicas, utópicas e imediatistas

A polarização moral da política, que tenho descrito em vários artigos, tem motivado um léxico político beligerante, conflitual, e tem instigado um estado de permanente exaltação, fleuma. Faz sentido, porque a polarização presume um conflito moral que só admite um vencedor; e a fleuma é condizente com o universo das redes sociais, onde há violência verbal e uma predisposição para a deslegitimação do outro.

A ideia é simples: a democratização da opinião nas redes sociais revelou uma maioria social escondida pelos jornais e que, agora liberta, pode enfim dizer que basta, e que está na hora de agir, de agir com mais força; e essa maioria escondida precisa de voz, de quem dê consequência a essa fúria, de quem venha acabar com a cobarde moderação.

E assim surgem expressões políticas, à esquerda e à direita, uma reagindo à outra, que tentam representar essa maioria furiosa. À esquerda, acusam os socialistas e sociais-democratas de coniventes com o capital, instrumentos idiotas ao serviço do capitalismo. À direita, chamam de cúmplices do politicamente correto aos conservadores e liberais, tontos que não veem os planos de destruição da civilização cristã.

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Esse género de movimentos serve para protesto, mas não para um futuro. Daí que o desvio do PP para tentar estancar o VOX, para ir de encontro ao sentir da maioria silenciosa, se tenha saldado no pior resultado de sempre do PP.

Não, a moderação não morreu, nem está mal de saúde. Está viva, tão pujante como nunca. Só precisa que não desistam dela, e lhe saibam dar um projeto inspirador e mobilizador.

(Opinião publicada na VISÃO 1366 de 9 de maio)

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