observador.ptJosé Diogo Quintela - 14 mai 00:08

Quando for grande quero ser aquele advogado

Quando for grande quero ser aquele advogado

A diferença está nos clientes: enquanto um bandido comum chama o advogado quando é apanhado pela polícia, o bandido milionário manda vir o advogado antes de cometer o crime. E paga bem por isso.

Quando era novo queria ser advogado. Via “ O que permite ao advogado de milionários viver com todos os privilégios de um milionário, sem a maçadora exposição pública a que os milionários são sujeitos. A não ser, claro, em situações especiais como a de Berardo, em que o milionário exagera a fazer-se de parvo. Se Berardo fosse um milionário vigarista menos desbocado, daqueles que costumam ir às Comissões de Inquérito sem levantar ondas, ninguém teria reparado no advogado.

Não foi o que sucedeu, de maneira que a partir desta semana deixou de ser anónimo. As pessoas vão reconhecê-lo na rua e dizer: “Olha, o advogado da televisão! Tenho o banco à perna por ter falhado duas prestações e este gajo safa o Berardo de pagar 1000 milhões?” Obviamente, vão cercá-lo e não o deixarão sair dali enquanto não lhes ensinar a renegociar um empréstimo de maneira a não ter de o pagar. Toda a gente o vai chatear com isso. O mordomo vai chateá-lo, as criadas vão chateá-lo, a cozinheira vai chateá-lo, o caseiro vai chateá-lo, a babysitter vai chateá-lo, o tratador do cavalo do filho vai chateá-lo, o jardineiro vai chateá-lo, o treinador de ténis vai chateá-lo, a instrutora de ioga da mulher vai chateá-lo, o professor de piano da filha vai chateá-lo, o motorista vai chateá-lo, o porteiro do Hotel vai chateá-lo, o sommelier vai chateá-lo, o chef vai chateá-lo, o caddy vai chateá-lo, o barman do clubhouse vai chateá-lo. E isto só à segunda-feira de manhã, imagine-se o resto da semana. Coitado, tem a vida destruída.

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