eco.sapo.pteco.sapo.pt - 17 abr 12:46

DBRS sobe rating do Novo Banco graças à limpeza no malparado

DBRS sobe rating do Novo Banco graças à limpeza no malparado

Apesar do upgrade, agência canadiana continua, no entanto, a avaliar o banco liderado por António Ramalho como investimento de grau especulativo. Precisa de mais quatro revisões em alta.

A DBRS subiu o rating de longo prazo do Novo Banco em um nível para B (high) com perspetiva positiva. No curto prazo, a notação financeira foi reafirmada em R-4 com outlook estável. O banco liderado por António Ramalho avançou um degrau na escala, mas continua a ser visto como investimento especulativo, ou seja, no “lixo”. Para sair desta categoria, são precisas ainda quatro revisões em alta.

“O upgrade no rating do emitente de longo prazo do NB para B (high) tem em conta as melhorias no perfil de risco do banco, particularmente no que diz respeito à redução no crédito malparado, o desinvestimento em ativos não core e o aumento da racionalização da estrutura organizacional”, explica o relatório da DBRS publicado esta quarta-feira.

Com toda a banca em Portugal penalizada pelo fardo do malparado, o Novo Banco foi a instituição que mais acelerou, em 2018, a libertação destes ativos, tendo anunciado a venda de 2.150 milhões de euros. A estratégia ajuda a reforçar o capital e, depois dessas operações de alienação, o rácio de non-performing loans (NPL) caiu para 22,4% (face aos 28,1% de 2017), enquanto as provisões e imparidades reduziram em 36,7% (ou 147,2 milhões de euros).

Apesar dos elogios, a agência canadiana sublinha que “os rating continuam, no entanto, a refletir a fraca rentabilidade e o elevado stock de ativos problemáticos de legado”. Acrescenta que o rácio bruto de empréstimos em incumprimento “continua consideravelmente fraco que na maioria dos bancos europeus”.

A venda de malparado tem um impacto negativo nos resultados já que são incluídas as perdas da diferença entre os créditos registados no balanço e o valor a que são vendidos. O Novo Banco fechou 2018 com prejuízos de 1.412 milhões de euros e vai pedir 1.149 milhões de euros do Fundo de Resolução, no âmbito do mecanismo de capital contingente criado aquando da venda ao Lone Star, em 2017, para compensar as perdas avultadas que teve com a venda de ativos problemáticos.

“A perspetiva positiva reflita a expectativa da DBRS que, com o contínuo apoio do mecanismo de capital contingente, disponível ao NB através do Fundo de Resolução português, e as condições económicas ainda favoráveis em Portugal, o NB irá fazer novos progressos na limpeza da folha de balança e irá manter uma almofada de capital adequada. Também se espera que a posição de liquidez do banco, que começou a estabilizar em 2018, continue adequada”, acrescentou.

(Notícia atualizada às 12h55)

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