expresso.ptexpresso.pt - 17 abr 09:24

China mantém crescimento de 6,4% no primeiro trimestre

China mantém crescimento de 6,4% no primeiro trimestre

A segunda maior economia do mundo aguentou nos primeiros meses de 2019 o ritmo de crescimento que registara no último trimestre de 2018, segundo dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística em Pequim. Não se registou a desaceleração brutal que muitos analistas esperavam. O pacote de estímulos começou a produzir resultados

A economia chinesa registou um crescimento de 6,4% no primeiro trimestre de 2019, o mesmo ritmo dos últimos três meses de 2018, divulgou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE) chinês. Trata-se da variação em relação ao mesmo trimestre de 2018, o que é designado por variação homóloga.

Os analistas apontavam para uma desaceleração para 6,2% logo no início do ano, o que não se verificou. O pacote de estímulos avançado por Pequim para este ano, calculado em 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), já terá começado a surtir efeito.

No entanto, o ritmo de crescimento, em termos homólogos, registado nos dois trimestres é o mais baixo dos últimos 27 anos, desde que o INE começou a publicar esta série de estatísticas. Sem os estímulos orçamentais, a economia chinesa teria iniciado um processo de aterragem forçada, um cenário muito negativo para a economia mundial.

Pequim estabeleceu a meta política de um crescimento anual este ano no intervalo entre 6% e 6,5%, admitindo um abrandamento face ao ritmo de 6,6% verificado no ano passado. O Fundo Monetário Internacional, na semana passada, avançou com uma previsão de 6,3% e em março a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) era ligeiramente mais pessimista, apontando para 6,2%.

Em termos de evolução de um trimestre para o seguinte, o que é designado por variação em cadeia, o crescimento tem estado a desacelerar claramente desde o segundo trimestre de 2018. Agora, entre janeiro e março de 2019, a economia cresceu 1,4%, menos do que 1,5% registado entre outubro e dezembro do ano passado. Um crescimento em cadeia que já está longe da média trimestral de 1,8% de 2010 até agora. No segundo trimestre de 2016 chegou a crescer a um ritmo trimestral de 1,9%, então um máximo desde 2,1% entre julho e setembro de 2013.

O crescimento no primeiro trimestre foi puxado pela produção industrial que aumentou 8,5%, pelo investimento fixo que cresceu 6,3% e pelas vendas no retalho que subiram 8,7%. Estes crescimentos foram superiores às médias registadas em janeiro e fevereiro. A produção industrial teve o melhor crescimento trimestral em quatro anos e meio. E o investimento fixo está a levantar-se claramente da desaceleração brutal que registou no ano passado, quando apenas aumentou 0,5%.

Os analistas chineses ouvidos pelo South China Morning Post, de Hong Kong, e pelo CaiXin, o jornal financeiro independente de Pequim, interrogam-se se o bom número do primeiro trimestre indicia uma aceleração da recuperação no médio e longo prazo ou se é, apenas, uma estabilização de curto prazo.

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