expresso.ptexpresso.pt - 17 abr 09:43

Conselho eleitoral espanhol impede debate a cinco por incluir Vox sem respeitar proporcionalidade

Conselho eleitoral espanhol impede debate a cinco por incluir Vox sem respeitar proporcionalidade

A decisão dá razão às queixas apresentadas pela ERC, Coligação Canária e PNV por não terem sido incluídos no debate acordado com os cinco partidos inicialmente previstos. O debate será agora entre as quatro formações com maior representação parlamentar: PSOE, PP, Unidas Podemos e Ciudadanos. Os espanhóis vão a votos no próximo dia 28

O conselho eleitoral espanhol chumbou, esta terça-feira, um debate televisivo que seria realizado com cinco partidos, incluindo o Vox, de extrema-direita, escreve o jornal “El País”.

A decisão, que invoca a violação do princípio da proporcionalidade, vem dar razão às queixas apresentadas pela Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), Coligação Canária e Partido Nacionalista Basco (PNV) por não terem sido incluídos no debate acordado entre o grupo de comunicação Atresmedia e os cinco partidos inicialmente previstos.

A Atresmedia reagiu poucas horas após a decisão, propondo uma mudança de formato em que apenas participam os quatro partidos com maior representação parlamentar (PSOE, PP, Unidas Podemos e Ciudadanos), realizando-se o debate no mesmo dia 23 de abril. Apesar de ter acatado a decisão, a Atresmedia divulgou um comunicado, dizendo que reitera que “um debate entre cinco candidatos é do maior valor jornalístico e da maior relevância para os eleitores”.

Vox imprescindível para Governo à direita

O líder do Vox, Santiago Abascal, atacou a decisão: “O conselho eleitoral permite que Junqueras [Oriol Junqueras, presidente da ERC], o líder do golpe, faça debates a partir da prisão e, no mesmo dia, impede o Vox de participar no debate televisivo”. Para Abascal, a explicação é clara: “sabiam que o íamos ganhar”.

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Fundado em 2013 após uma cisão do PP, o Vox conquistou 12 assentos parlamentares nas eleições regionais da Andaluzia de dezembro do ano passado. O partido poderá conseguir 12% dos votos nas legislativas do próximo dia 28 e somar até 37 deputados no Congresso.

As sondagens indicam mesmo que o Vox será imprescindível para qualquer combinação de Governo à direita. De resto, os seus 12 deputados regionais já foram decisivos para a aliança com o PP e o Ciudadanos que governa agora a comunidade autónoma da Andaluzia.

PSOE e Vox, vencedores antecipados das eleições

Como escrevia no sábado o correspondente do Expresso em Madrid, Angel Luis de la Calle, o Vox “ainda não apresentou um programa de Governo mas expõe em comícios os seus propósitos para a nação: recentralização do poder territorial, suspensão da autonomia da Catalunha e dissolução dos seus elementos mais identitários, como a televisão ou a polícia regionais; travagem a todo o custo da ‘invasão islamita’, que o número dois do Vox, Javier Ortega, acusa de querer impor a sharia no país; revisão das leis que ‘deram alas ao feminismo supremacista’ ou permitiram o casamento homossexual”.

O partido propõe ainda “a liberalização da posse e uso de armas de fogo para defesa pessoal e favorece aspetos distintivos da identidade nacional, como a tourada ou a caça”, acrescentava o correspondente do Expresso na capital espanhola.

Nas sondagens, o PSOE e o Vox surgem como claros vencedores das próximas eleições. O partido do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, sairá vencedor se conseguir libertar-se dos apoios dos partidos independentistas catalães para uma eventual formação de Governo. E o Vox porque poderá emergir em força no Parlamento nacional, tornando-se indispensável para que qualquer combinação de partidos de direita venha a alcançar o poder.

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