www.publico.ptpublico.pt - 17 abr 14:28

Banco de Portugal impõe à KPMG coima de três milhões por contas do BES

Banco de Portugal impõe à KPMG coima de três milhões por contas do BES

Auditora das contas do Banco Espírito Santo e do BES Angola até à resolução de 2014 vai pagar multa, assim como dois responsáveis da KPMG

O Banco de Portugal (BdP) aplicou uma coima de três milhões de euros à KPMG, que auditava o BES, por prestação de informações incompletas e falsas ao supervisor, antes da resolução do banco no Verão de 2014.

A auditora KPMG foi condenada ao pagamento de uma coima única de três milhões de euros pela prestação de informações incompletas e falsas ao BdP, “a título doloso”, entre 11 de Fevereiro e 30 de Maio de 2014, antes da resolução do banco, que ocorreu a 3 de Agosto daquele ano.

A KPMG Portugal auditava as contas do BES em Portugal e a KPMG Angola auditava as contas do BES Angola.

As informações constam do processo de contra-ordenação 100/14/CO, hoje divulgado pelo Banco de Portugal no seu site, na secção dedicada aos processos de condenação.

Além da auditora, dois responsáveis da KPMG também foram condenados “pela prática de infracções especialmente graves”.

Inês Viegas foi condenada a uma coima no valor de 425 mil euros, por prestação de informações incompletas e falsas ao BdP, “a título doloso”, ou seja, por vontade livre e consciente.

Já Fernando Antunes foi condenado a uma coima de 400 mil euros por prestação de informações falsas ao BdP também a “título doloso”.

Segundo o BdP, a auditora teve conhecimento dos riscos relativos à carteira de crédito do BES Angola e dos problemas que acarretava para o BES em Portugal, não os tendo comunicado ao supervisor.

Na síntese do Banco de Portugal não há referência a mais condenados, mas na fase de acusação eram cinco os acusados pelo BdP de não terem reportado os problemas da carteira de crédito do BES Angola: Sikander Sattar (presidente da KPMG), Inês Viegas, Fernando Antunes, Inês Filipe e Sílvia Gomes.

O supervisor adianta hoje que “todos os arguidos impugnaram a decisão junto do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão”.

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