www.sabado.ptleitores@sabado.cofina.pt (Sábado) - 16 abr 07:00

A crise e o jogo (pouco) bonito

A crise e o jogo (pouco) bonito

Nos últimos três meses recebemos dezenas de denúncias de cidadãos preocupados com o rumo do País. Muitas não se comprovaram. Algumas já deram origem a notícias. Várias continuam a ser investigadas - Opinião , Sábado.

Durante a crise académica de 1969, os alunos da universidade de Coimbra pintaram inúmeros cartazes que iam de mensagens de apoio aos colegas detidos, a convocatórias para reuniões gerais de alunos ou para um concerto com Zeca Afonso. Não se sabe bem como ou quando, mas a verdade é que eles foram parar à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. E foi com o diretor-adjunto, António Maia Amaral, que a subeditora Sara Capelo os abriu no salão nobre do edifício. Foi ali por um motivo: era o único com dimensão suficiente para os colocar e abrir. Ainda assim, os repórteres da SÁBADO depararam-se com um problema: alguns eram tão grandes que era difícil captar boas imagens. Foi o fotógrafo Bruno Teixeira Pires que arranjou a solução: ao ver um escadote, subiu para o topo e foi daí que fotografou os cartazes que não eram vistos em público há cinco décadas.

Uma triste história
Não se sabe exatamente quem foi o primeiro a proferir a expressão. Mas Pelé celebrizou-a em 1977 ao apelidar o futebol de "o jogo bonito" na sua autobiografia (My Life and the Beautiful Game). No entanto, a realidade que o repórter Tiago Carrasco encontrou para realizar o trabalho da secção de Desporto desta semana é muito diferente. Percebeu-o logo que foi à sede da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol. Ao chegar à morada combinada, não conseguiu encontrar a porta. Depois de ligar ao presidente, percebeu que estava no sítio certo – a entrada não estava era identificada para não ser vandalizada como já tinha acontecido na sede anterior.

A sua impressão piorou quando começou a falar com árbitros vítimas de violência. Um deles, a quem partiram a cana do nariz, desistiu da arbitragem e diz mesmo ter perdido a paixão pelo futebol. Outro, que já foi agredido duas vezes, recusa-se a ceder: adora o que faz e a paixão pelo apito tem sido superior ao receio de andar na rua – pelo menos por agora. É que a probabilidade de voltar a ser alvo da fúria incontrolada dos adeptos é grande: em Portugal, há mais de 40 árbitros agredidos por época. Uma realidade muito triste – e feia.

Um pequeno balanço
Há cerca de três meses a SÁBADO anunciou a abertura de um canal de comunicação para onde os leitores podiam enviar informações que consideravam merecedoras de tratamento jornalístico. De então para cá recebemos dezenas de denúncias. Uma boa parte delas não sobreviveu ao processo jornalístico de confirmação factual e foram descartadas. Algumas deram já origem a notícias, publicadas tanto na edição em papel como online. Outras estão ainda em análise. Nenhuma foi esquecida ou ignorada. Por isso, com um agradecimento, pedimos-lhe que continue a confiar em nós. Fale connosco através de investigacao@sabado.cofina.pt.

Boa semana.

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