expresso.ptexpresso.pt - 16 abr 22:38

Jornal ganha prémio Pulitzer pela cobertura de massacre na sua própria redação

Jornal ganha prémio Pulitzer pela cobertura de massacre na sua própria redação

Os Pulitzer são a distinção mais importante do jornalismo americano, e nunca tinha havido um morticínio como o do Capital Gazette, nem uma tal reação

Um jornal onde, em junho do ano passado, ocorreu o pior massacre de jornalistas na história dos Estados Unidos, recebeu um prémio Pulitzer pela cobertura que fez do evento. O massacre, obra de um homem que tinha um conflito com o jornal há muito tempo - ou pelo menos ele entendia que tinha - resultou em cinco mortes. Apesar disso, a edição do dia seguinte saiu a horas, com a ajuda de colegas de outro jornal da mesma empresa.

O "Capital Gazette" é um diário sediado em Annapolis, capital do Maryland, junto a Washington D.C. O alegado assassino já há anos tinha tentado processar o jornal, sem êxito, por causa de notícias sobre o seu passado criminal. O tribunal entendeu que ele não tinha razão em achar-se difamado. Após o crime, declarou-se incapaz por razões de insanidade, mas só em novembro essa questão deverá ser decidida, quando começar o julgamento.

Os prémios Pulitzer são os mais importantes do jornalismo americano. Este ano, o jornal candidatou-se em cinco categorias diferentes e não ganhou em nenhuma delas. Mas recebeu um prémio especial (com o valor de cem mil dólares, equivalentes a 89 mil euros) por aquilo que o júri descreveu como "a sua resposta corajosa" ao massacre e "o seu compromisso incansável de cobrir as notícias e servir a comunidade num momento de dor sem nome".

Na redação do "Capital Gazette", a notícia do prémio foi recebida em silêncio, antes de alguns jornalistas começarem a reagir, de várias maneiras. Uma repórter de 'features' diz que teve de ir à casa-de-banho acalmar-se e acrescentou: "Ao início pensei que apenas queria dizer que se sentiam mal por nós. E não é verdade, pois há imensas pessoas que nos podem fazer sentir mal por elas. Nós realmente merecemos".

Outra repórter expressou satisfação por o "stress adicional" de prosseguir o trabalho ter sido reconhecido.

6
1