expresso.ptexpresso.pt - 15 abr 11:55

Luís Amado admite que "a EDP tem um peso excessivo na economia portuguesa"

Luís Amado admite que "a EDP tem um peso excessivo na economia portuguesa"

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP defende, em entrevista ao "Jornal de Negócios" e à Antena 1, a necessidade de o grupo reduzir a sua exposição a Portugal, e considera que o insucesso da OPA não afetará as relações entre Portugal e a China

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP (e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros), Luís Amado, admite que "a EDP tem um peso excessivo na economia portuguesa", pelo que deverá reforçar a diversificação dos seus negócios, seguindo o plano que foi apresentado ao mercado a 12 de março pelo presidente executivo da empresa, António Mexia.

"A EDP tem um peso excessivo na economia portuguesa. A empresa tem que diversificar o seu portefólio de ativos onde há potencial de crescimento. Na Península Ibérica o potencial de crescimento para uma empresa que tem em alguns domínios 70% de quota de mercado é muito limitado. Acho que é possível criar uma solução de compromisso à volta dessa opção estratégica da empresa", afirmou Luís Amado em entrevista ao "Jornal de Negócios" e à Antena 1.

O plano traçado pela equipa de António Mexia, e validado pelos acionistas de referência da EDP, prevê a venda de ativos na Península Ibérica no valor mínimo de 2 mil milhões de euros, entre os quais deverão estar centrais termoelétricas mas também barragens. A EDP pretende até ao final do ano definir quais os ativos que venderá.

O objetivo da EDP é usar esse encaixe para, somado à receita da venda de participações em parques eólicos, financiar o crescimento internacional, sobretudo em novos projetos de energias renováveis.

Questionado sobre se a redução da sua exposição em Portugal não tornará a EDP mais vulnerável a um eventual desmembramento, Luís Amado responde que o plano estratégico agora em marcha visa afastar esse risco.

"O desmembramento ocorrerá se nada for feito. É impossível sustentar uma empresa com a dimensão que a EDP hoje tem se não houver opções estratégicas que a adaptem às condições de concorrência a que o setor está sujeito e vai ser ainda mais sujeito no futuro imediato", aponta Luís Amado.

Na sua entrevista ao "Jornal de Negócios" e à Antena 1, o presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP desvaloriza o relatório preliminar da comissão de inquérito das rendas da energia.

"Acho que não faz grande sentido estarmos a perder tempo com o passado e com processos que têm que ver com decisões que foram assumidas na esfera do Estado. [...] Se há dúvidas, como disse na comissão de inquérito, os tribunais farão a interpretação ou outros órgãos que façam uma interpretação correta dos contratos", declara Luís Amado.

O antigo governante também defende, na entrevista, que o previsível insucesso da oferta pública de aquisição da China Three Gorges (CTG) não afetará as relações económicas entre Portugal e a China.

"O Estado chinês e o Estado português têm uma relação de parceria, estratégica aliás, no contexto de uma situação geopolítica internacional que é muito focada nas relações com o investimento chinês. Mas em que, no caso português, não há qualquer reserva relativamente a esse investimento do ponto de vista político. Portanto, a parceria entre Portugal e a China funciona num quadro de rotina, normal, nas relações entre estados que têm parcerias desse tipo", comenta Luís Amado.

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