www.jornaldenegocios.ptJoaquim Aguiar - 15 abr 19:06

Polarização e moderação

Polarização e moderação

Na sua história, Portugal só cresceu quando se abriu ao exterior e quando o exterior lhe deu a escala que não tem dentro das suas fronteiras. É esta capacidade para interiorizar o exterior que decide o lugar de Portugal no mundo.

A FRASE...

"Se Portugal cair para o último lugar do 'ranking' europeu, de que servirão a habilidade de Costa e o talento de Centeno?"

José António Saraiva, Sol, 13 de Abril de 2019

A ANÁLISE...

A Europa e os Estados Unidos espantam-se com o surto de populismo que se manifesta em democracias que se julgavam solidamente pluralistas, imunes à polarização primitiva da distinção entre amigo e inimigo, que deixa de se estabelecer nas relações externas no confronto entre potências para se transferir para as relações políticas internas do confronto entre grupos distributivos que desistem do confronto competitivo com o exterior. Os europeus procuraram na integração europeia o modo de fazerem a Europa grande outra vez. Os americanos procuram no projecto de fazer a América grande outra vez o modo de encobrirem a necessidade de abandonarem as suas posições imperialistas no mundo, refugiando-se nas suas fronteiras protegidas por muros contra a imigração e por tarifas alfandegárias contra a competição nos mercados mundiais.

O populismo é a expressão política dos derrotados que não se resignam a ter deixado de ser vencedores. É por isso que os populistas precisam da polarização radical. Cada extremo serve-se do outro para se afirmar, e nenhum pode reduzir a sua radicalização sob pena de se desagregar. Não é um confronto de interesses, que exige uma medida de resultados e por isso conduz à negociação. É um confronto de identidades, que tem como única medida de sucesso a destruição do outro. É por isso que os populistas se fecham para evitar a comparação com os outros. Por natureza, a polarização é o contrário da moderação e é a impossibilidade da democracia pluralista.

Na sua história, Portugal só cresceu quando se abriu ao exterior e quando o exterior lhe deu a escala que não tem dentro das suas fronteiras. É esta capacidade para interiorizar o exterior que decide o lugar de Portugal no mundo e é a comparação com os resultados que os outros conseguem que denuncia a mistificação das políticas internas que rejeitam a moderação racional, função dos resultados, para impor a polarização emocional, função das identidades.

Artigo está em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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