visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 17 mar 11:00

A música pesada não nos torna insensíveis, conclui um estudo

A música pesada não nos torna insensíveis, conclui um estudo

Uma equipa de cientistas chineses e australianos comparou death metal sueco com a música Happy, de Pharrell Williams, e concluiu que ambos os estilos têm a mesma influência na forma como encaramos a violência: nenhuma

Não, o heavy metal não nos torna menos sensíveis ou mais agressivos. É essa a conclusão de um estudo que tentava determinar se a música sonoramente violenta nos fazia mais empedernidos.

Para a investigação, publicada na revista científica Royal Society Open Science, a equipa de cientistas recrutou um grupo de estudantes universitários: 32 fãs de death metal e 48 que não apreciavam este género musical. Todos os participantes foram, então, submetidos a imagens violentas num olho e neutras noutro, em simultâneo, enquanto ouviam a música Eaten, da banda sueca de death metal Bloodbath (com letras como "trincha-me, corta-me, chupa as minhas entranhas e lambe-me o coração"). Depois, repetiram o processo das imagens, mas a ouvir Happy, de Pharrell Williams (que repete a palavra "feliz" e seus derivados algumas dezenas de vezes).

A premissa do estudo parte de um teste psicológico clássico: quando vislumbram, em olhos diferentes, imagens violentas e imagens neutras, as pessoas tendem a ver mais as violentas; quem v�� menos essas imagens é, em princípio, menos sensível à violência.

Os cientistas concluíram que todos os participantes dos dois grupos tinham a sua atenção igualmente virada para as imagens violentas, independentemente do seu gosto musical e da música que ouviam no momento. “Esta descoberta levanta dúvidas acerca dos argumentos que dizem que a longa exposição das audiências a imagens violentas pode tornar as pessoas menos sensíveis", disse Bill Thomson, um dos investigadores envolvidos no estudo. "Os fãs [de death metal] são pessoas simpáticas. Não vão andar por ai a magoar os outros."

O investigador, da Universidade Macquarie, de Sidney, Austrália, estuda há décadas os efeitos emocionais da música, que ele apelida de "complexos." “Muita gente gosta de música triste, e isso é um pouco paradoxal: porque é que haveríamos de ouvir algo que nos deixa triste? O mesmo pode ser dito sobre música com temas agressivos ou violentos. Para nós é psicologicamente paradoxal – por isso, ficámos curiosos, sendo que ao mesmo tempo reconhecemos que a violência nos media é um problema social significante.”

O vocalista dos Bloodbath, Nick Holmes, disse à BBC que as letras são uma diversão inofensiva, tal como comprovava o estudo. "A maioria dos fãs de death metal são pessoas inteligentes e conscientes que apenas tem paixão pela música. É o equivalente a pessoas obcecadas com filmes de terror ou recriações de batalhas."

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