expresso.ptexpresso.pt - 17 mar 11:56

Nova Zelândia. Governo quer discutir com Facebook transmissão de vídeos em direto

Nova Zelândia. Governo quer discutir com Facebook transmissão de vídeos em direto

O atentado que provocou 50 mortos em duas mesquitas da Nova Zelândia foi transmiitdo em direto, durante 17 minutos, nas redes sociais, pelo autor dos disparos. O Facebook já removeu mais de 1,5 milhões de videos, mas a questão fica no centro do debate.

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, afirmou hoje que pretende discutir com a rede social Facebook a transmissão de vídeos em direto. É uma decisão que vem colocar as redes sociais no centro da discussão à volta do atentado de sexta-feira em duas mesquitas do país. Morreram 50 pessoas e o alegado autor transmitiu tudo ao vivo, durante 17 minutos, aparentemente através de uma câmara montada no seu capacete.
Horas depois do ataque às mesquistas de Christchurch, o vídeo continuava disponível para partilha também noutras redes sociais, como o Twitter e o YouTube porque não basta um clique para retirar as imagens de cena e as autoridades assumiram, desde o princípio, algumas dificuldades em cumprir esse objetivo.
"Esta é uma questão que vai muito além da Nova Zelândia, mas isso não significa que não possamos ter um papel ativo em vê-la resolvida", disse hoje Jacinda Ardern aos jornalistas em Wellington, citada pela agência Bloomberg. "É uma questão que vou discutir diretamente com o Facebook", acrescentou.
Afirmando que continuam a existir "perguntas que exigem respostas" dos gigantes da Internet, Ardern disse que já esteve em contacto com a responsável pelas operações do Facebook, Sheryl Sandberg, que "reconheceu o que havia acontecido em nova Zelândia" e enviou condolências às famílias.
"Fizemos tudo o que podemos para remover ou obter a remoção de algumas das imagens que circularam após o ataque terrorista. No entanto, no final, cabe a essas plataformas facilitar essas retiradas. (...) Acho que ainda há perguntas que precisam de respostas", sustentou.
A rede social afirmou, entretanto, que nas primeiras 24 horas removeu 1,5 milhões de vídeos com a gravação em direto do ataque e, de acordo com a porta-voz da plataforma na Nova Zelândia, Mia Garlick, também serão removidas todas as versões editadas do vídeo, mesmo que não mostrem conteúdo gráfico.Garlick já prometeu "trabalhar 24 horas por dia para remover todos os conteúdos em infração"
"Nas primeiras 24 horas, removemos 1,5 milhões de vídeos do ataque do mundo, dos quais mais de 1,2 milhões foram bloqueados durante o 'download'", informou o Facebook.

Austrália apoia


O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, também expressou dúvidas sobre a eficácia da atual legislação nesta matéria, afirmando que as redes sociais "cooperaram" com as autoridades, mas "infelizmente, a capacidade real de ajuda dessas empresas de tecnologia é muito limitada".
"Portanto, há discussões muito concretas a ter sobre o tema das capacidades das redes sociais", concluiu.

Outra questão na ordem do dia na Nova Zelândia é a introdução de alterações à legislação sobre posse e porte de armas, uma vez que Brenton Tarrant, o alegado autor deste atentado, terá usado uma arma semiautomática comprada legamente para disparar contra as pessoas em oração e tinha outro armamento em seu poder.

Identificado como sendo Brenton Tarrant, cidadão australiano, o alegado autor destes ataques foi presente ao juiz, que lhe leu uma acusação de homicídio. Ficou sob custódia e deverá voltar a apresentar-se a tribunal a 5 de abril, para enfrentar uma possível condenação a prisão perpétua.

Tarrant deixou explicadas todas as suas razões num manifesto de 74 páginas, sob o nome “The Great Replacement” (A Grande Substittuição", enviado ao gabinete da primeira-ministra menos de 10 minutos antes dos ataques, e a mais 70 endereços, entre os quais os de alguns dirigentes políticos Diz que queria criar “uma atmosfera de medo” “incitar à violência” contra os muçulmanos, vingar-se dos atentados perpetrados por muçulmanos na Europa.

Confessa ser admirador de outros extremistas defensores de ideologias supremacistas como Anders Breivik ou Dylan Roof. Explica que se radicalizou numa viagem à Europa, numa rota por vários países que também terá passado por Portugal.

O jornal espanhol ABC, citando este manifesto, diz que “o primeiro acontecimento que levou à mudança (radicalização) foi o atentado de Estocolmo, a 7 de abril de 2017”, quando um camião abalroou várias pessoas na capital da Suécia, causando 4 mortes e vários feridos.

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