expresso.ptexpresso.pt - 16 mar 16:00

Com taxas de juro assim tão baixas, não vale a pena

Com taxas de juro assim tão baixas, não vale a pena

Os juros que pode esperar receber mal saem do zero. Com a inflação, até perde dinheiro

Imagine que herdou €10 mil. Para muitas pessoas, a opção mais tradicional é meter o dinheiro num depósito a prazo. Afinal, este é, de longe, o produto financeiro onde os portugueses mais aplicam as poupanças. Até porque é o mais seguro. Mas pense duas vezes. Com as atuais taxas de juro, o rendimento mal sai do zero. Em Portugal, os depósitos a um ano rendem, em média, 0,1% em termos líquidos, ou seja, teria um retorno de apenas dez euros. Se tiver em conta a evolução dos preços, ou seja, em termos reais, ainda perde dinheiro. Basta notar que o Banco de Portugal prevê 1,4% de inflação para este ano.

A culpa, em grande medida, é das taxas Euribor. Estas taxas de juro continuam em território negativo e assim devem continuar. Com a economia a arrefecer e o Banco Central Europeu pronto a disparar de novo as armas da política monetária, os futuros sobre a Euribor a três meses — que sinalizam a evolução esperada pelos mercados financeiros — sugerem que a taxa só deverá voltar a positiva em setembro de 2021.

Como resultado, a taxa de juro dos novos depósitos a prazo de particulares caiu a pique e está nos 0,14% ao ano, em termos nominais e brutos (0,1% líquidos), indicam os dados do Banco de Portugal. Há cinco anos estavam nos 2% (1,44% líquidos). Uma ronda pelos sites dos cinco maiores bancos em Portugal é esclarecedora. No BPI, na CGD e no Santander Totta, a melhor taxa anual nominal bruta não vai além dos 0,1% (0,072% em termos líquidos), chegando aos 0,3% no BCP (0,216%) e aos 0,59% no NB (0,425% líquidos).

A diferença entre estas taxas brutas e líquidas tem um nome: IRS. Em Portugal, os rendimentos dos depósitos bancários, tal como da maioria das aplicações financeiras, está sujeito a uma taxa liberatória de 28%. “Portugal tem das taxas de imposto mais elevadas da Europa sobre produtos de poupança”, constata António Ribeiro, economista da Deco/Proteste. Uma situação que não tem dúvidas em classificar como um “erro”, já que “a taxa de poupança tem vindo a cair a pique e está muito baixa, nos 4% do rendimento disponível”. Um valor que compara com cerca de 12% na zona euro.

António Ribeiro é perentório: “O Estado deve incentivar a poupança, diminuindo a taxa de imposto e criando produtos mais interessantes através da dívida pública.”

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