expresso.ptexpresso.pt - 16 mar 18:32

Nova Zelândia. "Só o ódio pode levar a um tal extremo", diz líder da comunidade islâmica em Portugal

Nova Zelândia. "Só o ódio pode levar a um tal extremo", diz líder da comunidade islâmica em Portugal

As vítimas "estavam simplesmente como crentes, a cumprir os seus deveres religiosos", diz Presidente da Comunidade Islâmica de Portugal sobre os ataques a duas mesquitas da Nova Zelândia, sexta-feira.

O presidente da Comunidade Islâmica de Portugal classificou hoje como atos "repugnantes contra pessoas inocentes" e sem "justificação plausível", os ataques que na sexta-feira mataram 49 pessoas em duas mesquitas neozelandesas.
"Estavam simplesmente, como crentes, a cumprir os seus deveres religiosos. Tal atrocidade não tem qualquer justificação plausível. Só ódio pode levar a um tal extremo", afirmou, numa nota enviada à agência Lusa, Abdool Vakil, salientando que "não há palavras para classificar atos destes".
Abdool Vakil informou, ainda, que na oração semanal das 12:00 de sexta-feira, na Mesquita Central de Lisboa, foi feita uma prece pelas vítimas destes atentados e pelas suas famílias.
Os ataques a duas mesquitas do país, já assumido pelo australiano nacionalista branco Brenton Tarrant, de 28 anos, provocaram 49 mortos e quase meia centena de feridos, incluindo crianças, em Christchurch, na Nova Zelândia.
O último balanço oficial indica que 39 feridos permanecem hospitalizados, 11 dos quais nos cuidados intensivos. E entre eles há uma criança com menos de dois anos.
O alegado autor dos atentados enfrenta uma acusação de homicídio que pode levar a uma pena de prisão perpétua.
O gabinete da primeira ministra, Jacinda Ardern, recebeu uma cópia do manifesto de 79 páginas em que Tarrant expunha a sua ideologia extremista e justificava a sua ação menos de 10 minutos antes do início do ataque à primeira mesquita, transmitido em direto, pelo próprio, através das redes sociais, durante 17 minutos. Mas há mais dois suspeitos sob custódia

Uma das primeiras consequências diretas destes atentados de sexta-feira será a alteração da legislação relativa à posse e porte de armas. Depois de confirmar que Tarrant terá cometido os crimes com armas compradas legalmente, tendo direito de posse de arma, o governo fez saber que a legislação vai mudar. Houve tentativas de introduzir reformas em 2005, 2012 e 2017, mas "agora é hora de faze-lo", garantiu a primeira.-ministra que visitou hoje os feridos dos atentados, mas também os membros da comunidade muçulmana de Christchurch.

O governo está a trabalhar em conjunto com as autoridades de vários países para repatriar as vítimas para os seus países de origem., designadamente a Jordânia, Índia, Paquistão, Bangladesh e Síria. Antes, no entanto. terão de ser identificados todos os corpos, um trabalho que deverá ficar concluído ainda hoje.


Christchurch, com cerca de 376.700 habitantes, é a maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia e a terceira maior cidade do país, localizada na costa leste da ilha e a norte da península de Banks. É a capital da região de Canterbury.

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