expresso.ptexpresso.pt - 16 mar 20:00

“Estão a atacar os valores da família”

“Estão a atacar os valores da família”

Bruno Vitorino Deputado do PSD

O deputado social-democrata saltou esta semana para o centro da polémica ao referir-se, num post no Facebook, a uma ação de formação dada numa escola por uma associação LGBTI como “porcaria” (ver artigo na última página). O Bloco de Esquerda chamou-o “homofóbico” e apresentou queixa na Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Bruno Vitorino garante que não tem medo de rótulos e diz que foi vítima de um ataque organizado nas redes sociais.

Que problemas vê numa ação de formação dada numa escola por uma associação LGBTI?

Não tenho qualquer problema que alguns assuntos sejam abordados na escola. Mas que sejam abordados da maneira certa, dentro de balizas que são escrutinadas, públicas. Não é qualquer entidade que se dirige aos alunos.

Em concreto o que é que o incomoda?

O que é o ativismo LGBTI em concreto? Como não discrimino ninguém não consigo achar que todos os elementos de todas as associações LGBTI são pessoas bem-formadas. Quem supervisiona? Quem avalia? Que qualificações têm? Os pais sabem?

Mas o que entende por ativismo militante?

Quando foram criticar o meu post [que foi suspenso pelo Facebook] foram lá a mando de alguém, de forma organizada com um objetivo claro. Sou a favor dos direitos dos homossexuais. Trato os homossexuais como pessoas normalíssimas. Não preciso é de andar sempre com determinado tipo de linguagem e a ofender a Igreja. O objetivo passou a ser atacar os valores da família, do casamento.

O agrupamento escolar já explicou que a formação faz parte do plano anual de atividades curriculares, que foi aprovada pelo Conselho Pedagógico e que só assistiram as crianças cujos pais autorizaram. Nem a associação de pais nem o agrupamento receberam queixas de encarregados de educação.

Eu recebi em privado mensagens de pais que autorizaram os filhos a ir mas não sabiam ao que iam. Houve quem tivesse interesse em desvirtuar o que eu disse, mas eu também tenho direito a indignar-me, não sou diferente das manas Mortáguas. O que se está a passar nas nossas escolas a coberto destas aulas de cidadania? Quem é que lá está a falar aos nossos filhos? Está a falar de quê? Temos de perceber quem lá vai, se tem formação adequada, quem supervisiona.

A Rede Ex Aequo, a associação em causa, tem um projeto apoiado pelo Conselho da Europa. O seu problema era com a associação?

Se calhar nessas associações há pessoas habilitadas. No início, essas associações tinham uma causa com a qual concordo, eliminar as discriminações. Agora, há muitas pessoas à frente dessas associações que não têm bom senso. E se cruzam com a agenda político-partidária com partidos que não têm bom senso do que é a democracia.

Em maio a escola vai receber uma sessão sobre família. O problema era o tema?

Ir falar de educação ambiental não me parece que tenha o mesmo melindre e a mesma sensibilidade. Não sei como é que se fala de diferentes orientações sexuais para miúdos que, se calhar, ainda não a descobriram. A coberto destes chavões podemos estar a falar de uma coisa que eu queria que não existisse em Portugal, a ideologia de género. Podemos estar a desconstruir modelos com uma agenda ideológica por trás. Uma coisa é dizer a uma criança de seis anos que não se deve discriminar ninguém. Mas será adequado falar dos diferentes tipos de amor, de orientação sexual? Será normal? Tenho muitas dúvidas, para não dizer que tenho a certeza absoluta de que não é normal.

A expressão e o conceito de ideologia de género são associados à extrema-direita e defendidos por movimentos como o Vox.

E? Espero que não exista, mas parece que existe uma agenda da extrema-esquerda, devidamente organizada, e que quer impor, desde cedo, uma ideologia de género. E o PS é conivente com isso. O que fazem? Ridicularizar, cortar a credibilidade a quem tem dúvidas de que essa agenda tenha de ser implementada. Por isso, dizem que são Bolsonaros, que são de extrema-direita.

Não tem receio de ser rotulado de extrema-direita?

Não tenho medo do que a extrema-esquerda me possa vir a rotular. Desvirtuaram o que eu disse. Gostam não de ir a discussão, mas de meter carimbos nas pessoas.

É a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Sou muito liberal nos costumes. Não me choca o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas sou contra a adoção, porque envolve uma terceira pessoa, que não tem possibilidade de escolha. E tem que ver com uma evolução na sociedade que não está completamente preparada.

Teve o apoio que esperava do PSD?

Da esmagadora maioria de deputados do PSD, de muitos dirigentes do PS e de outros partidos. Esta questão já se transformou numa luta pela liberdade de expressão.

116
1