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Diário

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Claro que o PS vai ganhar as eleições e que António Costa vai continuar no seu papel de grande merceeiro português. Nem Assunção Cristas nem Rui Rio inspiram a mesma confiança, para não falar dos dementes do PC e do Bloco.
10 de Março

Ana Gomes é um prodígio – é o exemplo mais perfeito de um espírito estalinista. Para ela, o mundo aparente é uma “encenação”, que esconde as reais manobras do “gang” da Lone Star e do “gang” Espírito Santo, em prejuízo dos contribuintes em geral e do povo em particular.

Por razão inversa, não consegue disfarçar a sua admiração pelo hacker das Football Leaks, Rui Pinto, que na imaginação dela começou a desvendar os culposos mistérios do futebol.

11 de Março

O PÚBLICO traz um artigo com o seguinte título: “Estará o inglês a deixar de ser a língua padrão da música global?”. A explicação vem a seguir: “Em 2018, oito das dez canções mais ouvidas no YouTube eram cantadas em espanhol.” Conviria que as boas almas, que se indignam com o muro de Trump, percebessem que a América anglo-saxónica, branca e protestante, tem uma certa dificuldade em engolir estas coisas. E que talvez resista à sua transformação num país bilingue e tendencialmente católico.

Trump passará. Mas não passará o problema que a imigração da América Central e da América do Sul põe à América dos ingleses e da imigração europeia.

12 de Março

Parece que o Parlamento vai impor aos seus membros um regime policial. A polícia começa a ser uma vocação portuguesa. Deputados, comentadores, televisões, tablóides não param um segundo na perseguição ofegante dos malfeitores. Agora, a própria Assembleia da República parte do princípio de que os representantes da nação não passam de uma cambada de meliantes, que têm de ser vigiados de perto e punidos com severidade.

A democracia portuguesa está a tornar-se num asilo de loucos.

13 de Março

António Costa anda, desavergonhadamente, a fazer campanha eleitoral. Não percebo o nervosismo, a não ser que ainda hoje o aflija o espectro de “Tozé” Seguro e do “poucochinho”. Claro que o PS vai ganhar as eleições e que ele vai continuar no seu papel de grande merceeiro português.

O país pensa, com toda a razão, que ele não levará o Estado à falência, e que distribuirá a sopa do convento o melhor que souber e puder. Nem Assunção Cristas nem Rui Rio inspiram a mesma confiança, para não falar dos dementes do PC e do Bloco.

14 de Março

Os três anos de Marcelo. Basta uma medida. Quem foram os políticos que o bom povo tratou pelo nome próprio? Não foram de certeza António Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio ou Aníbal Cavaco Silva. Na história da política portuguesa só há o João Carlos, o António Maria e o António José. Depois do 25 de Abril, há o Marcelo, mais ninguém.

15 de Março

Gosto de Jorge Coelho. É um homem inteligente, bom, bonacheirão e tranquilo, não está ali para enganar ninguém. Quando foi da ponte de Entre-os-Rios, um desastre em que ele não teve a mais leve responsabilidade, demitiu-se logo. Pensa como o “povão” de que faz parte. Exactamente por isso, não se pode ignorar o que ele diz hoje sobre a Pátria.

E o que é que ele diz? Diz que a grande obra do governo de Costa foi devolver à Pátria umas “finanças sãs” e poupá-la aos desvarios democráticos do “Brexit”.

Reconheço, melancolicamente, a conversa. É a conversa sobre a natureza do nosso desgraçado país e das relações que ele pode ter, ou não ter, com a Europa. É a propaganda de Salazar e do salazarismo. Na boca de um ingénuo. Mas será que nos podemos salvar deste destino?

15 de Março, à noite

Algumas centenas de alunos do básico e do secundário andaram hoje pelas ruas de Lisboa e do Porto, para “salvarem o planeta”. Fora meia dúzia de aprendizes de demagogo, que poderiam ir já para o Bloco, o resto repetiu as frases da propaganda que os professores lhes meteram no encéfalo plástico.

Isto é um puro abuso de confiança que o Estado permite e encoraja. Uma pessoa imagina as mesmas criancinhas a repetir a propaganda do Omnipotente ou de Maduro. Ou, ainda com mais fervor, a do Führer e a do camarada Estaline.

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